“Estou arrependido do que aconteceu. E quando apareceu nas notícias, no dia seguinte, senti-me envergonhado. Foi o calor do momento, oferecemos a vitória mais fácil de sempre ao Liverpool”. Há poucos dias, Frank Lampard mostrou-se arrependido pelos insultos dirigidos a Jürgen Klopp no jogo na penúltima jogada da Premier League, que acabou com uma goleada do Liverpool ao Chelsea e onde os dois treinadores se desentenderam durante alguns segundos. Esse assunto, ao que parece, está sanado — o que não significa que Klopp tenha uma opinião favorável em relação àquilo que a equipa de Lampard está a fazer no atual mercado de transferências.

O Chelsea, a equipa mais ativa nesta janela de mercado do futebol europeu, já gastou 230 milhões de euros este verão e parece não querer desacelerar, tendo já em carteira as contratações de Mendy, guarda-redes do Rennes, e Declan Rice, médio do West Ham. Em entrevista à BBC Radio, Klopp criticou a atuação do clube londrino e lembrou que o Liverpool não pode fazer o mesmo porque não tem o mesmo tipo de investimento nas costas.

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“Somos um clube diferente. Somos diferentes dos nossos rivais porque eles são propriedade de países ou de oligarcas. Tivemos sucesso porque somos o clube que somos. Não podemos mudar isso na noite para o dia e querer comportar-nos como o Chelsea. Nestes tempos que vivemos, para alguns clubes parece menos importante o quão incerto é o futuro porque são propriedade de países ou de oligarcas”, explicou o treinador alemão.

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De recordar que o Chelsea esteve impedido de fazer qualquer contratação no verão passado depois de ter sido sancionado pela FIFA por infrações nas regras das transferências internacionais de jogadores menores de 18 anos. Originalmente, essa mesma sanção durava até 2021, mas acabou reduzida para metade depois de um recurso apresentado pelos blues ter sido aceite. Numa manobra de compensação pelo tempo perdido, o clube já leva seis contratações no atual mercado: Ziyech, ex-Ajax, que custou 40 milhões; Werner, ex-RB Leipzig, por 55 milhões; Ben Chilwell, ex-Leicester, por 50 milhões, Kai Havertz, ex-Bayer Leverkusen, que custou 80 milhões mais 20 em variáveis e tornou-se o jogador mais caro da história do Chelsea; e ainda Thiago Silva e Malanga Sarr, ex-PSG e Nice, que chegaram ambos a custo zero. Uma lista (e um valor) que tem tendência para crescer, com as incorporações de Mendy e Declan Rice.

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Em comparação, e em duas temporadas, o Liverpool gastou apenas 23 milhões de euros. Neste verão, contratou somente Kostas Tsimikas, lateral esquerdo que estava no Olympiacos e custou 13 milhões. Há um ano, no início da época em que acabou por ser campeão inglês 30 anos depois, o clube dispensou apenas milhão e meio, com a contratação de Sepp van den Berg ao PEC Zwolle e as integrações dos guarda-redes Adrián e Andy Lonergana, ambos a custo zero. Em janeiro de 2020, chegou Minamino, japonês que estava no RB Salzburgo ao lado de Haaland, a troco de oito milhões. Até ao final da atual janela de mercado, fala-se ainda na possibilidade de chegar Thiago Alcântara, médio do Bayern Munique, a Anfield Road, enquanto que o holandês Wijnaldum é uma das pretensões do compatriota Ronald Koeman no Barcelona.