Os números são astronómicos e foram revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), de que o Expresso faz parte, este fim de semana: entre 1999 e 2017 uma série de bancos internacionais permitiram que se movimentassem através dos seus canais um total de dois biliões de dólares em transações que eles mesmos identificaram como potenciais operações de lavagem de dinheiro ou de outras atividades criminosas.

Só pelo antigo BES Miami, movimentados por Alejandro Ceballos Jiménez, um oligarca venezuelano, noticiou o Expresso e já tinha revelado também o Observador, passaram 262,9 milhões de dólares, no período de apenas um ano, entre janeiro de 2013 e janeiro de 2014.

A soma ajuda a colocar em perspetiva os 86,6 milhões de dólares que, noticia o Jornal de Negócios desta terça-feira, passaram por Portugal no período a que se referem os mais de 2.100 documentos bancários confidenciais agora analisados pelo ICIJ.

BES Miami usado por oligarca venezuelano para transferir mais de 260 milhões de dólares para o exterior

Terão sido 120 as transações com passagem pelo País que JP Morgan e Bank of New York Mellon assinalaram como suspeitas. Ao todo, diz o JN, que contabilizou os dados publicados no site do ICIJ, serão cinco os bancos portugueses envolvidos (sem contar com o já referido BES Miami): BES, offshore do BES na Madeira, Caixa Central de Crédito Agrícola, Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e então Bic, atual EuroBic.

Terá sido através do banco fundado por Isabel dos Santos que passaram grande parte das transações suspeitas e alegadamente relacionadas com crimes de lavagem de dinheiro e corrupção: 99 de um total de 120, com 26,9 milhões de dólares a serem enviados através dos Estados Unidos.

Isabel dos Santos diz que nunca foi cliente de bancos norte-americanos

Ao todo, terão saído de Portugal, em operações suspeitas, feitas através destes cinco bancos, 1,86 milhões de dólares, e entrado 84,75 milhões — o que perfaz a já referida soma de 86,6 milhões.

Esta segunda-feira, depois de a investigação do ICIJ revelar que a empresária angolana, tal como o marido, Sindika Dokolo, estavam entre os clientes confidenciais de bancos que foram reportados às autoridades norte-americanas, Isabel dos Santos apressou-se a desmentir todas as notícias, garantindo nunca ter feito “parte de qualquer esquema ilegal e/ou ilegítimo de circulação de fundos no sistema bancário internacional ou norte-americano”.