Um médico de família belga que se recusava a usar máscara nas consultas terá infetado com SARS-CoV-2 pelo menos 100 dos doentes que seguia, noticiou o jornal The Brussels Times. Depois de conhecida a situação, o médico de 68 anos disse: “Fui estúpido. Só estava a tentar ajudar as pessoas”.

As autoridades municipais de Kruisem, na Flandres Oriental, viram os casos de infeção com o novo coronavírus disparar na passada semana e uma investigação aos casos permitiu perceber que eram todos seguidos pelo mesmo médico de família. Este médico tinha testado positivo há cerca de uma semana e os doentes dizem que se recusava a usar máscara durante as consultas ou que a usava incorretamente.

“Queremos enfatizar que esta é uma exceção e que os médicos de família fazem tudo o que podem para receber os doentes nas consultas de forma segura”,disse, em comunicado, a associação de médicos de família belga Domus Medica.

“Este médico de família está ciente dos fatos”, disse Joop Verzele, presidente do município de Kruisem. “O coordenador do plano de emergência está a acompanhar a situação, juntamente com a Agência de Saúde Pública e um especialista médico. Queremos pedir a todos que sigam rigorosamente as medidas de segurança. Não podemos permitir qualquer descuido agora.”

Covid-19: governo adverte que a Bélgica está à beira de “tsunami” com aumento galopante de casos

O caso do médico de família é local e está bem identificado, mas acontece numa altura em que o país está à beira de um “tsunami” — não de mar, mas de casos de SARS-CoV-2 —, advertiu, esta segunda-feira, o ministro da Saúde belga, Frank Vandenbroucke. Só nas últimas duas semanas a Bélgica registou uma taxa de incidência de 747 casos confirmados de infeção por 100 mil habitantes, o que representa uma subida de 221% face aos 14 dias anteriores.

Esta terça-feira, a situação continuava a agravar-se para a Bélgica com 828 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças. É o segundo pior país no acumulado dos últimos 14 dias, depois da República Checa que tem 905 por 100 mil habitantes. Em terceiro lugar aparece a Holanda com 553 por 100 mil habitantes.

Europa Central: da primeira vaga suave a uma segunda onda descontrolada

O número de mortos e internamentos também não apresenta um cenário mais favorável. Entre 9 e 15 de outubro morreram em média 30 pessoas por dia — num total que já ultrapassa as 10 mil —, o que representa um aumento de 89% face aos sete dias anteriores. Na última semana também houve um aumento de 100% do número de internamentos por Covid-19 face aos sete dias anteriores — média diária de 251,9 internamentos, contra 125,7 da semana anterior.

“Se isto continuar assim, o número de hospitalizações vai ser de tal ordem que teremos de adiar cada vez mais os cuidados de saúde ‘não-Covid’”, disse o ministro da Saúde.

“Médicos Pela Verdade”. Ordem abre processo contra movimento que nega a gravidade da Covid-19