Os projetos de investimento americano em Portugal entre 2014 e 2019 ultrapassaram os 1.100 milhões de dólares (cerca de 991 milhões de euros) e criaram 6.806 postos de trabalho, segundo o Barómetro das Empresas Americanas em Portugal.

O barómetro, que é esta sexta-feira divulgado, é um estudo que resulta da parceria entre a AmCham (Câmara de Comércio Americana em Portugal) e a PwC e tem como objetivo “refletir sobre a relevância das empresas americanas na economia portuguesa e sobre a sua evolução financeira nos últimos anos”.

Entre os anos de 2014 e 2019 foram realizados 48 projetos de investimento americano em Portugal, correspondendo a 1.176 milhões de dólares [cerca de 991 milhões de euros]”, ou seja, “cerca de 4% do investimento total realizado no país”.

Estes projetos foram promovidos por 39 empresas e “permitiram a criação de 6.806 postos de trabalho, sendo a maioria destes investimentos constituídos por novos projetos (77%) e outros pela expansão de projetos anteriores (23%)”, refere o barómetro, que é apresentado no ‘webinar’ “Investimento Americano em Portugal – Investimento Direto Estrangeiro (IDE), um pilar do desenvolvimento económico”.

Quer em termos de número de projetos, quer em valor dos mesmos, o setor das tecnologias de informação “foi aquele onde se verificaram mais investimentos de origem americana (29,7%)”, ou seja, “a aposta dos investidores americanos em solo nacional tem-se direcionado, sobretudo, para a área tecnológica, com algumas gigantes americanas, como a Google, a Amazon e a Uber, a instalarem-se e a expandirem as suas áreas de negócio em Portugal”, refere o estudo.

Depois das tecnologias de informação, o setor das comunicações foi o que arrecadou mais investimento, com um peso de 22,4%, seguido dos têxteis, com 13,1%, e o imobiliário (12,3%).

No período analisado, o ano de 2018 foi aquele que contou com mais investimentos — 18 projetos no total –, correspondendo a 37,5% do total acumulado de projetos entre 2014 e 2019″.

Assim, em 2018, os investimentos foram responsáveis pela criação de “3.065 postos de trabalho, que representaram cerca de 590 milhões de euros em capital investido”.

No que respeita ao investimento direto, o ‘stock’ de investimento direto dos EUA em Portugal no final de 2019 ascendia a 1.938,3 milhões de euros.

Tal representava “1,3% do IDE [Investimendo Direto Estrangeiro]” em Portugal, salienta o barómetro, que aponta que no primeiro trimestre deste ano “atingiu os 1.956 milhões de euros (1,4% do total)”.

No ano passado, Portugal foi o oitavo país da União Europeia mais atrativo para os investidores estrangeiros (relatório da EY ‘Attractiveness Survey Portugal 2020), tendo atraído “um número recorde de projetos de IDE, com 158 no total”, recorda o estudo.

De entre os países a investir mais em solo nacional contam-se os habituais, como França, Reino Unido e Alemanha, mas os EUA viram a sua presença reforçada, tendo sido mesmo o principal investidor em Portugal em 2019, somando 26 projetos de IDE”.

Em 2018, o número de filiais de empresas estrangeiras em Portugal era de 6.825, empregando 487 mil pessoas e atingindo um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 22 mil milhões de euros.

Daquele total de empresas, “cerca de 935, que representam aproximadamente três mil milhões de euros de VAB gerado, são filiais cujo país de origem são os EUA”.

As subsidiárias norte-americanas presentes em Portugal representam 13,7% do total das filiais estrangeiras, sendo que o seu VAB representa 15%.

O estudo adianta que, de acordo com a distribuição setorial dos países de origem do controlo do capital das filiais estrangeiras com maior peso no VAB, as provenientes dos EUA “ocuparam uma das três primeiras posições em quatro categorias distintas: no ano de 2018 foram líderes setoriais em ‘Outros Serviços’, registando uma percentagem de 18,6% do VAB gerado por filiais estrangeiras” e “ocuparam a segunda posição no setor do ‘Alojamento e Restauração’, contribuindo em 15% para o VAB das mesmas filiais”.

Ficaram na terceira posição quer no que respeita ao setor “Construção e Atividades Imobiliárias” como de “Informação e Comunicação”, contribuindo em 11,1% e 14,9% para o VAB das filiais, respetivamente.

“Adicionalmente também nas operações de ‘merges and aquisitions’ (M&A) [fusões e aquisições], ‘private equity’ e de ‘venture capital’ (VC), os EUA ocupam uma posição dominante”, salienta o barómetro.

Em 2018, o mercado das transações representava um valor agregado de 5.724 milhões de euros, entre operações de M&A, ‘private equity’ e ‘venture capital’ [capital de risco] e um volume total de 246 transações.

Depois de analisarmos, em número e valor, estes diferentes tipos de operações para o mesmo ano, compreendemos a importância dos EUA neste mercado. No que respeita a operações de M&A, os EUA são o país com maior valor agregado de aquisições realizadas no nosso país, num total de 962 milhões de euros”.

“O mesmo acontece nas operações de ‘private equity’, onde estes investimentos representam um valor agregado de 495 milhões de euros”, refere.

Em termos de venture capital, “os EUA não são o país com o maior valor agregado de transações, apenas o que representa maior volume de transações”.

No que respeita as startups, “os EUA representavam a maioria do capital estrangeiro a financiar este ecossistema, representando cerca de 59% do ‘venture capital’ captado” por aquele tipo de empresas portuguesas em 2019.

Nos últimos três anos, os Estados Unidos “têm sido a principal origem do ‘venture capital’ obtido pelas principais 25 ‘startups’ portuguesas”, registando-se um aumento de 22,4% da contribuição norte-americana em 2019 face ao ano anterior.

“Para demonstrar a relevância que as empresas americanas representam no contexto da economia nacional” foi analisado o desempenho, entre 2016 e 2018, de 963 empresas dos EUA a operar em Portugal.

Em termos de caracterização da amostra, das quase 1.000 empresas americanas analisadas, verifica-se que mais de 50% estão a operar em Portugal há 10 ou mais anos, sendo que 28% do total estão a operar mesmo há mais de 20 anos, o que ilustra a continuidade do investimento americano em Portugal”.

Em termos de vendas, cerca de metade apresentaram em 2018 valores iguais ou acima a um milhão de euros, enquanto “4% das empresas analisadas ultrapassaram mesmo os 100 milhões de euros”.

Por distribuição regional, Lisboa liderou no número de empresas americanas, sediando mais de 61% das entidades analisadas, e também em vendas, o que representa cerca de 78% do total, em 2018, seguida da Madeira, em termos de empresas sediadas.

No entanto, foi a região Norte que apresentou, a seguir à capital portuguesa, “o maior valor de vendas”.

O peso das 963 empresas americanas analisadas na economia portuguesa “foi significativo em 2018”, sendo que ao nível das vendas no Produto Interno Bruto (PIB) português “representaram cerca de 4,5% do total nacional, num valor total superior a nove mil milhões de euros”.

As empresas analisadas empregavam mais de 49 mil colaboradores em 2018.