Criar ambientes favoráveis à vacinação, tornando-a mais fácil e acessível, pode promover a aceitação das vacinas contra a Covid-19, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda também a definição de estratégias de comunicação.

No relatório que foi divulgado esta sexta-feira, o grupo de especialistas em Perceções e Ciências Comportamentais para a Saúde, que foi criado este ano pela OMS, sublinha que as novas vacinas constituem um desafio novo.

“A aceitação e toma das vacinas contra a Covid-19 representa um desafio sem precedentes”, referem, sublinhando que alcançar esse objetivo depende sobretudo do comportamento de outros atores, designadamente dos laboratórios, daqueles que estão a planear a vacinação dos responsáveis por implementar estratégias de comunicação nesse sentido.

Em termos gerais, são três as principais recomendações para promover a aceitação da vacina e passam por questões práticas da vacinação, por aproveitar influenciadores sociais e por estratégias de comunicação que aumentem a motivação para ser vacinado.

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Relativamente às questões práticas, o relatório aponta a importância de criar ambientes favoráveis, reduzindo ao máximo as barreiras à vacinação, que podem estar, por exemplo, relacionadas com o local de vacinação, aos custos e ao tempo despendido.

Reduzir as barreiras e tornar mais fácil a vacinação aumenta a toma da vacinação, especialmente para a maioria das pessoas que não estão deliberadamente a evitar a vacinação. Aquilo que pode parecer relutância, resistência ou até mesmo oposição, pode simplesmente ser uma resposta aos inconvenientes de ser vacinado”, lê-se no documento.

Por isso, a vacinação deve ser tão fácil, tão rápida e tão acessível quanto possível, e deve acontecer num ambiente visivelmente seguro.

E se esta estratégia é sobretudo eficaz para captar as pessoas que não têm qualquer desconfiança em relação às novas vacinas, os especialistas sublinham a importância das influências sociais para promover a aceitação, desde membros da comunidade considerados relevantes aos meios de comunicação.

Por exemplo, se a maioria das pessoas numa comunidade vir a vacina com desconfiança e acreditar que não funciona ou que tem efeitos secundários negativos, transmitirá sinais negativos aos outros que, de outra forma, até poderiam ser a favor da vacinação”, explicam.

Em relação aos meios de comunicação, os autores referem que no contexto atual estes desempenham um papel particularmente importante, uma vez que, por passarem tanto tempo em casa, as perceções das pessoas dos comportamentos dos outros são mais provavelmente influenciadas pelos media e pelas redes sociais, do que por interações diretas.

Referindo a título de exemplo a cobertura noticiosa de movimentos antivacina, o relatório aponta que se estes grupos, ainda que pequenos, forem promovidos pelos jornais e televisões, há o risco de passar a ideia de que a oposição às novas vacinas é uma opinião generalizada.

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Por outro lado, passar da aceitação à motivação para ser vacinado poderá envolver uma comunicação aberta e transparente, não só sobre a segurança e os benefícios da vacinação, mas também sobre a incerteza e os riscos.

Algumas pessoas poderão tentar comparar o risco de ser infetado com o risco de tomar uma nova vacina, e determinar que entre os dois o risco da Covid-19 é mais baixo”, alertam os especialistas.

De acordo com o relatório, a motivação para ser vacinado resulta, habitualmente, não só da perceção de risco, mas também da confiança nas vacinas e a esse respeito será particularmente relevante ter uma estratégia de comunicação que também combate a desinformação.

As primeiras vacinas contra a Covid-19 deverão chegar a Portugal nos primeiros dias de 2021 e o grupo de trabalho criado pelo Governo para coordenar a vacinação já apresentou, na quinta-feira, a primeira versão do plano, em que algumas destas recomendações estão contempladas.

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