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Luís Marques Mendes entende que Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, não tem condições para continuar no cargo. O antigo líder do PSD considera que o governante agiu tarde, demonstrou negligência e tem o seu destino traçado: “Arrastar-se penosamente no lugar até sair pela porta pequena.”

No seu habitual espaço de comentário, na SIC, Marques Mendes não poupou críticas a Eduardo Cabrita. “O ministro não tem condições para continuar. Não foi capaz de agir a tempo e horas, é criticado por todos, incluindo pelo seu próprio partido, sobretudo, desqualificou-se a si próprio na conferência de imprensa de quinta-feira. Foi ridículo e, em política, o ridículo mata”, sentenciou.

Apesar de responsabilizar Cabrita, Marques Mendes não deixou de apontar diretamente a António Costa. “Em vez de substituir o ministro para defender o prestígio das instituições, põe-se a defender o amigo. Diz o primeiro-ministro que Eduardo Cabrita agiu bem. Bem? Deve ser o único português a achar que o ministro agiu bem. Tornou-se cúmplice de toda esta aberração.”

“Pedro Nuno Santos só tinha uma atitude a tomar: pedir a demissão”

O comentador acabou por abordar também a questão da TAP, ele que se tornou uma personagem neste folhetim, depois de ter anunciado, no último domingo, que o Governo queria levar o plano de reestruturação da companhia aérea ao Parlamento.

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Ora, a informação seria desmentida por António Costa, que atirou a ideia para o plano do disparate, mas Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, viria a público assumir a paternidade da ideia e reconhecer que tinha ficado isolado no Conselho de Ministros. Contas feitas: António Costa desautorizou violenta e publicamente o ministro.

“Nunca vi um primeiro-minsitro destratar assim um ministro. Nem José Sócrates, com feitio difícil. Muito menos António Guterres que tinha regras e princípios. Pedro Nuno Santos só tinha uma atitude a tomar: pedir a demissão e sair pela porta grande. Não o tendo feito, sai fragilizado e minado na sua autoridade. Um primeiro-ministro que se preza não pode fazer o que António Costa fez [a um ministro]: desautorizá-lo em público, humilhá-lo, desacreditá-lo, maltratá- lo”, rematou.