Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

As imagens captadas este sábado, em Lisboa, pelo Observador, não deixam dúvidas: face aos primeiros dias do confinamento de março e abril, mais pessoas saíram à rua. A PSP confirmou isso mesmo, mas num balanço oficial e para todo o país: o recolhimento ordenado pelo Governo ainda não está a ser cumprido como as autoridades desejam.

“Em relação a um fim de semana comum, registámos quebras na circulação de pessoas e veículos, a nível nacional. Ainda assim, temos de ser realistas — quando comparamos este primeiro sábado de confinamento geral com a primeira janela de confinamento, em março de 2020, há de facto mais movimento e ainda não há o recolhimento domiciliário que todos desejaríamos e que é importante que ocorra o mais rapidamente possível“, refere o intendente Nuno Carocha, porta-voz da PSP, ao Observador.

Imagem captada este sábado, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa © Melissa Vieira/Observador

Só nos próximos dias é que o Ministério da Administração Interna deverá divulgar números sobre as ocorrências durante o arranque de mais um confinamento, mas sabe-se que, até ao início da noite, “ainda não foi necessário recorrer à detenção por desobediência” e que, segundo a Polícia de Segurança Pública, “a maioria das pessoas apresenta um motivo válido para a deslocação” em causa.

“As pessoas que não tinham, foram convidadas a regressar a casa e acataram”. O mesmo porta-voz da PSP deu ainda conta do encerramento de dez estabelecimentos por incumprimento das normas e do registo de multas, embora não seja conhecido o número.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Temos abordado pessoas na rua e vamos manter uma intensa fiscalização rodoviária. Vamos ser assertivos: perguntar às pessoas porque é que estão na rua e qual o objetivo da deslocação e manter uma atitude informativa e pedagógica. A PSP continua a ter 20 mil polícias totalmente empenhados neste esforço. Vamos estar sempre na rua”, continua a intendente Nuno Carocha.

No dia em que as imagens mostram que muitas pessoas optaram por passear em jardins e miradouros (pelo menos em Lisboa), as forças de segurança mostram-se confiantes no bom senso e no sentido de civismo da população. A par disso, o balanço é de que a generalidade respeitou as regras do recolhimento.

Passeios, uma manifestação e pessoas sem máscara. As imagens de Lisboa no 1º sábado de confinamento

“Embora se registe um número superior de pessoas a circular em relação ao primeiro confinamento, as pessoas mostram-se conscientes das regras e apresentam justificações válidas. Apelo a que a população usufrua das exceções o menor número de vezes e durante o menor tempo possível, caso contrário poderá vir a ser necessário que os órgãos legislativos adotem outro tipo de medidas, mais restritivas”.

A PSP diz ainda ser “residual” o número de pessoas abordadas no sentido de alertar para o uso da máscara. “Percebemos que possa haver algum cansaço em relação às medidas, alguma saturação de todo este contexto”, remata Nuno Carocha.

O primeiro-ministro, António Costa, avisou – no dia em que anunciou as medidas associadas ao novo confinamento – que as multas relacionadas com o cumprimento das regras sociais contra a pandemia, nomeadamente o uso obrigatório de máscara na rua, vão ser duplicadas.