Três cientistas chineses de Wuhan terão sido atendidos no hospital um mês antes de a China ter reportado os primeiros casos de Covid-19, de acordo com o Wall Street Journal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês já negou estes casos, dizendo serem “completamente falsos”.

A informação consta de um relatório dos serviços secretos norte-americanos, que dá mais detalhes do que um outro documento da Casa Branca, escrito nos últimos dias da administração Trump, que já abordava o assunto. Esse documento indicava que vários investigadores do Instituto de Virologia de Wuhan ficaram doentes no outono de 2019 com “sintomas consistentes com a Covid-19 e com a gripe sazonal”. Agora, o relatório até agora desconhecido dá mais detalhes sobre o número de investigadores afetados, quando é que estiveram doentes e informação hospitalar.

Confrontado com esta informação, o governo chinês reagiu através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian: “Os Estados Unidos continuam a empolar” a teoria do acidente em laboratório. “Preocupam-se realmente em encontrar a origem ou estão apenas a tentar distrair atenções?”

O jornal americano escreve que estes casos voltam a alimentar o debate em torno das origens do vírus, que foi reportado pela primeira vez em dezembro de 2019, em Wuhan, já depois de se ter alastrado a várias regiões chinesas.

Este mês, um grupo de 18 cientistas pediu que voltasse a ser investigada a origem da pandemia, não descartando totalmente a teoria da libertação acidental do vírus em laboratório. Uma hipótese que cientistas e autoridades da China têm rejeitado sempre, afirmando que o novo coronavírus pode ter estado a circular noutras regiões antes de chegar a Wuhan — uma teoria que a própria OMS admite — ou que pode até ter entrado por outro país, seja através da importação de comida congelada ou de animais vivos.

Cientistas pedem que se volte a investigar a origem da Covid-19

Esta terça-feira, os EUA e outros países pressionaram OMS para que não desista de encontrar explicações sobre as origens do novo coronavírus. O pedido foi feito durante uma reunião da OMS e, de acordo com o jornal The Guardian, Portugal está entre a lista de países que fizeram pressão, a par também da Áustralia e do Japão. Contactado pelo Observador, o Ministério dos Negócios Estrangeiros clarifica que o fez em nome da União Europeia.

Citado pelo jornal britânico, o representante dos EUA na reunião da OMS, Jeremy Konyndyk, sublinhou “a importância de uma investigação abrangente e robusta conduzida por especialistas sobre as origens da Covid-19”.

Os EUA voltam ao tema já depois de, em fevereiro, a administração Biden ter manifestado “grande preocupação” relativamente aos primeiros resultados da investigação à origem do novo coronavírus, insistindo então que a China teria de fornecer informações adicionais.

Covid-19. Washington manifesta preocupação com investigação da OMS na China

O primeiro inquérito foi feito em janeiro deste ano, quando uma equipa de investigadores da OMS foi a Wuhan, mas os resultados foram inconclusivos.

Os especialistas apontaram, no entanto, como “extremamente improvável” que o novo coronavírus tenha sido criado em laboratório. E recomendaram um estudo mais vasto, através de um rastreamento “mais profundo” dos contactos do primeiro paciente conhecido e de uma análise à cadeia de fornecimento de comerciantes no mercado de Huanan, na cidade de Wuhan.

Wuhan. Investigação da OMS não identificou animal que transmitiu o SARS-CoV-2

Atualizado às 15h21 com posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros

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