A Câmara de Lisboa não vai autorizar a realização de arraiais populares este ano devido à pandemia de Covid-19, anunciou esta terça-feira o presidente do município, Fernando Medina, apelando para que os cidadãos compreendam a situação e evitem aglomerações.

“Infelizmente, este ano não vamos poder ter as comemorações do Santo António com arraiais, dada a situação em que vivemos”, disse Fernando Medina, acrescentando: “É a decisão sensata, é a decisão avisada nesta fase da pandemia em que são precisos ainda cuidados, são precisos alertas”.

Em declarações à agência Lusa, o autarca de Lisboa indicou que, tal como no ano passado, os arraiais “não vão ser licenciados nem pela Câmara nem por Juntas de Freguesia e, por isso, a fiscalização cabe às autoridades, quer à Polícia Municipal, quer à Polícia de Segurança Pública (PSP)”.

Infelizmente, já antecipávamos este cenário, por isso já tínhamos anunciado que não iríamos ter as marchas este ano e que os festejos não se iriam realizar, isso é óbvio. Isto agora estende-se a toda a noite de Santo António, na noite do dia 12 [de junho], os arraiais tão típicos desta altura não vão acontecer e, por isso, teremos que, infelizmente, aguardar mais um ano para podermos de novo celebrar o Santo António com a alegria que a cidade gosta de o fazer”, declarou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Arraiais em Lisboa podiam ser bons para o negócio mas são desaconselháveis

Os comerciantes da Baixa de Lisboa reconhecem que não é aconselhável realizar arraias nos Santos Populares devido à pandemia de Covid-19, embora tal fosse “bom para todo o comércio e restauração”.

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Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, Manuel Lopes, explicou que o contexto pandémico não permite festas nos Santos Populares, embora pudesse “beneficiar” as empresas que se encontram em dificuldades económicas.

[…] Em termos comerciais, eu direi: sim, faça-se. Mas, em termos de responsabilidade sobre a saúde eu direi: faremos aquilo que formos autorizados a fazer, em termos que aquilo que a Direção-Geral da Saúde autorizar para o momento”, disse.

Embora reconheça que, desde a reabertura após o confinamento, houve melhorias no comércio no centro da cidade, Manuel Lopes lembrou que o mês de junho “trazia milhares e milhares de pessoas” para a Avenida da Liberdade, em que muitas delas iam para festa e outras faziam compras.

“Já percebemos que as condições comerciais melhoraram […], há mais procura, há mais pessoas na nossa Baixa e nosso Chiado […]. Aquilo que aconteceria, se fosse possível abrir às famílias e às pessoas as festas populares — se elas existissem –, obviamente, estou convencido que iria beneficiar todos e alterar profundamente aquilo que são as dificuldades económicas das empresas”, afirmou.

Já o presidente da Associação de Valorização do Chiado (AVChiado), Victor Silva, alertou que “o comércio português está a definhar”, mas considerou que seria incompreensível a realização de festas durante os Santos Populares. “Estas festas com álcool no meio da rua, penso que, neste momento, em que tudo anda com máscaras […], tornam-se descabidas”, disse, adiantado que os eventos ocorridos no último fim de semana no Porto não têm “qualquer nexo”.

Acusando o Governo de estar a ser o “coveiro” do comércio, Victor Silva alertou que vai assistindo, todos os dias, ao encerramento de estabelecimentos comerciais e que há apoios que ainda não chegaram. “Estamos aqui um pouco perdidos, já. Sem eira, nem beira”, sustentou.

Artigo atualizado às 16h57