Os hospitais lisboetas têm registado um aumento progressivo no número de internamentos por Covid-19, embora todos concordem que a situação permanece sob controlo. Os doentes que chegam aos hospitais à conta de um agravamento da Covid-19 são agora mais jovens do que no início do ano, quando Portugal atravessava a terceira vaga da epidemia, mas os quadros clínicos também podem ser mais graves.

Neste momento, o Hospital de Santa Maria tem um total de 28 internados por Covid-19, oito dos quais na unidade de cuidados intensivos, avançou fonte oficial. Apesar do aumento paulatino que se tem verificado nas últimas semanas, a situação continua longe da que se viveu em fevereiro, quando se chegou a contabilizar 332 internamentos no maior hospital de Lisboa.

O perfil dos internados também mudou: se a média de idade rondava os 71 anos há quatro meses, numa altura em que 81% dos doentes tinham mais de 60 anos, agora baixou para os 55 anos e só um terço está acima dos 60. A esmagadora maioria ainda não foi vacinada contra a Covid-19 ou ainda não tinha completado o esquema vacinal.

Em declarações à Rádio Observador, Luís Pinheiro, diretor clínico do hospital, acrescenta que, enquanto em fevereiro apenas 12% dos internados tinham menos de 50 anos, agora a percentagem aumentou para 39%. E confirmou que, apesar do crescimento “paulatino” e “sustentado” no número de internamentos, esse aumento continua “ligeiro” e “muito abaixo dos da última fase da epidemia”.

Covid-19. “Doentes internados são mais jovens e têm infeções mais graves”

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Os dados enviados ao Observador pelo Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) dão conta de 25 doentes internados com Covid-19, três dos quais na unidade de cuidados intensivos. A média de idades está a diminuir e é, nas últimas semanas, de 63 anos — mais alta do que nos outros hospitais sondados pelo Observador, embora não se conheça o motivo. No Centro Hospital Lisboa Central (que engloba o Hospital Curry Cabral e o São José), também se verifica um aumento no número de internados: 38 pessoas hospitalizadas, nove das quais em cuidados intensivos.

O Hospital Beatriz Ângelo também confirmou ao Observador que esta sexta-feira tem 19 pessoas internadas por Covid-19, quatro das quais nos cuidados intensivos — um ligeiro aumento em relação ao que se tem verificado nas últimas semanas. Os dados relativos à última quinta-feira indicam que as idades dos internados variam entre os 40 e os 65 anos, com a maioria na casa dos 50.

Tal como no Santa Maria, quase todos os internados no Beatriz Ângelo estão por vacinar contra a Covid-19. Os casos de pessoas que têm precisado de assistência hospitalar apesar de estarem completamente vacinadas são “raríssimos” e, os que surgem, não desenvolvem quadros clínicos muito severos. Mais a norte, no Hospital São João, nem sempre é assim.

Segundo Nelson Pereira, diretor de Urgência e Medicina Intensiva, alguns doentes Covid-19 chegam aos cuidados intensivos porque a patologia cria descompensações noutras doenças de que já padeciam, explicou o clínico à Rádio Observador. Isso reflete-se na capacidade de responder à infeção, que assim se agrava. Neste momento, o Hospital São João tem 10 pessoas nos cuidados intensivos com Covid-19, três das quais internadas já desde a terceira vaga. Houve cinco internamentos nas últimas duas semanas, o que Nelson Pereira considera “comportável”.

No centro do país, Nuno Devesa, diretor clínico do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, reportou à Rádio Observador que o impacto do aumento no número de novos casos na generalidade do país “não é significativo” por lá. Tal como nos outros hospitais, a média de idades dos internamentos está a baixar: é de 54 anos neste momento, quando chegou a localizar-se entre os 70 e os 75 anos na terceira vaga. E dos cinco internados em cuidados intensivos, dois têm Covid-19, mas foram outras as patologias que obrigaram ao internamento.