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Não era fácil que fosse melhor, embora houvesse essa possibilidade, claro, mas o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões acabou mesmo por não ser nada simpático para as equipas portuguesas. Sporting, FC Porto e Benfica vão ter vidas complicadas, alguns mais que outros, pelo menos em teoria.

O Sporting, campeão nacional em título, estava no pote 1 e no pote seguinte estavam ainda várias equipas de topo mundial. Calhou o Borussia Dortmund e até foi “menos mau”, visto outras hipóteses serem, por exemplo, PSG, Real Madrid, Barcelona (Benfica) ou Liverpool (FC Porto). Do pote 3 veio o histórico Ajax e do 4 o Besiktas, que envolve sempre uma deslocação complicada à Turquia.

O Borussia Dortmund, terceiro na Bundesliga da época passada, até começou bem a época com um 5-2 ao Eintracht Frankfurt no arranque do campeonato. Entre jornadas apareceu a Supertaça da Aleamanha e num clássico, frente ao Bayern Munique, a equipa orientada por Marco Rose não se portou mal, mas o poderio bávaro foi maior (1-3). Na segunda jornada da liga alemã, uma derrota surpresa frente ao Friburgo. No mercado saiu Jadon Sancho, por 85 milhões de euros, para o Manchester United, e entrou Mallen, do PSV, por 30. Sancho é nos dias de hoje melhor jogador que Mallen e foi uma grande perda para o Dortmund, que conta de qualquer forma, além do português Raphael Guerreiro, com uma equipa que tem tanto de jovem, com Erling Haaland, o super avançado norueguês, à cabeça, mas ainda com craques como Reyna, Moukoko ou Bellingham, como de experiente com jogadores como Reus, Can e Witsel.

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O bicampeão holandês em título Ajax tem (seria estranho se assim não fosse) uma equipa jovem, salpicada aqui e ali com jogadores mais veteranos. A época não começou da melhor forma, com a equipa de Amesterdão a ser atropelada na Supertaça dos Países Baixos pelo PSV, por 4-0, e desde aí tem uma vitória e um empate no arranque da defesa do bicampeonato. Blind na defesa e Tadic na frente continuam a ser as figuras maiores, numa equipa que tem a despoletar, como é seu apanágio, jovens como Gravenberch.

Na sua terceira temporada como técnico da equipa, Sergen Yalçin leva os turcos do Besiktas à fase de grupos da Liga dos Campeões depois de conquistarem o campeonato na temporada passada. Os turcos são uma equipa muito “batida”, conforme tem sido mostrado pelos onzes iniciais, com jogadores como Hutchinson (38 anos) ou Vida (32). Llajic, Batshuayi, Lens e Alex Teixeira são ainda jogadores que podem fazer a diferença.

É no grupo do FC Porto que a coisa começa a “apertar”, embora os dragões tenham obviamente qualidade para ganhar a qualquer um dos três adversários: Atlético Madrid, Liverpool e o AC Milan (“fava” do pote 4).

É verdade que os milaneses estão há alguns anos na mó de baixo, mesmo com craques como Ibrahimovic, ou o português Rafael Leão, e tentam agora voltar ao seu lugar no futebol italiano e europeu. Não são o que já foram, mas não é fácil ir ao Giuseppe Meazza ganhar ao conjunto orientado por Stefano Pioli.

O Atlético Madrid vem de mais um título espanhol pelas mãos de Diego Simeone e apesar de não ter feito grandes mexidas no plantel, com o destaque a ir para as entradas de Matheus Cunha (Hertha de Berlim) e Rodrigo de Paul (Udinese), a equipa do argentino vai ser competitiva do primeiro ao último minuto. A equipa madrilena conta com craques de alto nível como Oblak, Koke, Correa, Suárez ou o português João Félix. O atleti de Simeone é já um clássico do futebol europeu. Um 4x4x2 muitas vezes “sem” extremos, algumas ocasiões “defensivo”, mas sempre muito eficaz nos momentos mais importantes do jogo. Até pode dar a bola aos dragões, mas a equipa de Sérgio Conceição tem de ter cuidado…

O fiel capitão não chegou para o novo “bombardeiro” (a crónica do Borussia Dortmund-Bayern Munique)

O Liverpool de Klopp e que conta com Diogo Jota no plantel ganhou a Liga dos Campeões em 2019 e conseguiu depois terminar o jejum de Premier League que durava há 30 anos. Com o técnico alemão a equipa de Anfield ganhou nova vida e mesmo que a época passada não tenha sido excelente, o começo desta nova temporada foi vitorioso. No entanto, e embora o ataque dos reds seja demolidor e os elementos que constituem a defesa sejam de topo, tem-se notado a falta de Wijnaldum, holandês que saiu a custo zero para o PSG e que fazia muito bem a ligação entre setores na equipa de Liverpool. Há jogadores, mas ainda não há rotinas.

As Odysseas de Julian no topo de uma águia rumo à Liga dos Campeões (a crónica do PSV-Benfica, 0-0)

Ao Benfica a coisa também não correu pelo melhor, pois além de Dínamo Kiev, com todo o respeito que a equipa merece, saíram… Barcelona e Bayern Munique. Dizer que bávaros e catalães não são favoritos ao apuramento não seria verdade, mas esconder que a equipa de Jorge Jesus pode muito bem conseguir fazer uma “graça” também não seria honesto.

A equipa de Kiev é treinada pelo já lendário Mircea Lucescu, técnico romeno com muitos anos de futebol, e foi campeã depois de quatro títulos consecutivos do Shakhtar. É um conjunto que cedeu 9 elementos à equipa da Ucrânia que competiu no Euro 2020 e é uma deslocação complicada para qualquer equipa do ocidente do futebol europeu.

O Bayern Munique do “prodígio” Julian Nagelsmann, treinador de 34 anos que parecia destinado ao clube alemão, começou a época, como já referido, a vencer a Supertaça ao Borussia Dortmund, e tem 4 pontos em dois jogos da Bundesliga, num arranque “tremido” apenas porque não era esperado que perdesse já pontos. No entanto, seja por grandes vantagens ou através de grandes recuperações, a equipa de Munique já vai com nove títulos da Alemanha consecutivos e ganhou a Champions, no Estádio da Luz, há duas épocas. Neuer, Kimmich, Müller, Lewandowski, Sané, Goretzka… é preciso continuar?

Sobre o Barcelona poderia escrever-se tudo e mais alguma coisa sobre o seu plantel, sobre o fantástico petiz que é Pedri ou a contratação de Depay e até a chegada de Agüero. Mas com tudo ainda por começar a pergunta é: sem Messi, como é que vai ser? Toda a temporada vai ser uma resposta a esta pergunta e é aqui, nesta incógnita, talvez mais do que em Munique, que os encarnados podem ter alguma fé.