Juan Carlos I, antigo rei de Espanha, contratou os serviços do escritório de advocacia britânico Clifford Chance, considerado um dos mais caros do mundo, para se defender em Londres do processo de assédio movido contra ele pela sua ex-amante Corinna Larsen.

A empresária alemã acusa-o de sujeitá-la a “vigilância ilegal” na sua casa em Londres, supostamente realizada por oficiais dos serviços de inteligência espanhóis (a CNI), bem como de fazer declarações difamatórias contra si. Segundo o jornal El Confidencial, estes eventos ocorreram a partir de 2012.

Ex-amante processa Juan Carlos I em caso de assédio. Corinna alega que rei emérito mandou espiá-la

Para além disto, a ex-amante afirma que Juan Carlos lhe doou 100 milhões de dólares (64,8 milhões de euros) em 2012 e que, posteriormente, exigiu que o valor fosse devolvido”. Larsen recusou-se e o antigo rei “difamou-a”, acusando-a de roubar o dinheiro.

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Os 100 milhões de dólares teriam sido enviados a Juan Carlos pelo antigo rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdulaziz Al Saud, que morreu em 2015. O documento do processo, consultado pelo mesmo jornal, afirma ainda que Juan Carlos contou ao rei Salman da Arábia Saudita e ao príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman sobre o suposto roubo.

Larsen está a pedir uma indemnização de valores não divulgados e uma restrição cautelar para não permitir que o antigo rei se aproxime dela ou das suas casas num raio de 150 metros.

Juan Carlos tem sido acusado de irregularidades em relação às suas finanças nos últimos anos. Em 2020, o seu filho e atual rei espanhol Felipe VI, anunciou que renunciaria a qualquer herança do pai. Nesse mesmo ano Juan Carlos deixou Espanha e foi para os Emirados Árabes Unidos, onde vive desde então.

“Juan Carlos morrerá no exílio e com o nome de Corinna nos lábios”

A relação entre Corinna Larsen e o rei emérito da Espanha veio aos holofotes públicos como resultado do acidente que Juan Carlos sofreu em 2012 no Botswana, enquanto estavam num safari de caça. O incidente prejudicou a reputação do monarca e foi parcialmente responsável pela sua decisão de abdicar do cargo em 2014.