Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Sempre que sai de casa para trabalhar de madrugada, Mary Mancha fecha os olhos e pede a Deus para ainda ter combustível suficiente para chegar ao trabalho. E sempre que chega a casa depois do trabalho, Mary volta a fechar os olhos para tornar a fazer súplicas a Deus: que haja comida que chegue na mesa, que a renda não fique em atraso e que a luz não se apague sob as suas cabeças, nem a água seque nas torneiras. “Não tenho ninguém a quem pedir além de Deus”, conta ao Observador, numa entrevista por telefone.

Mary Mancha é apenas uma dos cerca de 800 mil funcionários públicos norte-americanos que foram obrigados a parar de trabalhar, ou, como é o seu caso, a trabalhar sem receber salário, perante o shutdown do governo federal dos EUA. Há um mês que funcionários de agências públicas tão díspares como a NASA e a U.S. National Park Service foram enviados para casa sem salário por falta de dinheiro para lhes pagar — alguns, por desempenharem funções essenciais, têm sido obrigados a trabalhar sem receber. Na origem de tudo, está o desentendimento entre Donald Trump — que quer 5,7 mil milhões de dólares para acrescentar longos troços ao que já existe do muro entre os EUA e o México — e a maioria democrata na Câmara dos Representantes — que, tendo na mão os cordões da bolsa, não admite abri-los neste caso.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.