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Há cerca de três anos, ainda não estava na moradia com piscina onde vive hoje, com a mulher, mas num apartamento noutra zona de Doha, Paulo Neves chegou a casa, depois de dar mais um treino, e viu uma série de polícias à volta de um café. “Um qatari de 18 anos matou um gajo que andava com a irmã. Era um sudanês, por acaso um culturista muito famoso, e o irmão dela não gostava dele e já tinha dito que o ia matar”, recorda o personal trainer português, há seis anos a viver no Qatar.  Nessa manhã, o rapaz cumpriu a ameaça: entrou armado no café, atingiu mortalmente o namorado da irmã e ainda disparou contra ela, mas o tiro não foi fatal.

Nos dias seguintes, Paulo Neves bem procurou, mas nos jornais do Qatar nem uma menção ao crime, que acabou com o homicida de 18 anos a ser detido, depois de uma perseguição que até helicópteros envolveu. “Nunca teve hipótese, fugiu, mas tinha sido filmado à saída e à entrada do café, portanto, foi rapidamente apanhado”, completa o português, a partir dos detalhes que entretanto ouviu de um qatari a quem dava treino, e que tinha informação privilegiada porque fazia parte das Forças Armadas. “A imprensa esconde um bocado as coisas más. Quando há um crime ou um assassinato, raramente se sabe, é tudo abafado. Aliás, só sai cá para fora o que eles deixam.”

Escrever sobre o Qatar, um dos países mais seguros do mundo — garante quem lá vive e comprovam vários rankings —, começando com uma referência a um homicídio será pouco ortodoxo, mas o objetivo não é sequer desmontar essa ideia.

Assegura Paulo Neves, 49 anos, e fazem coro os outros quatro portugueses com morada no país com quem o Observador falou, essa é mesmo uma das maiores vantagens de ali viver — os salários acima da média serão outra, mas já lá iremos.

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