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Joaquim Barreto fez uma atuação de mais de 20 mandatários em palco e depois ajudou o Costa lesionado a subir ao palco

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Joaquim Barreto fez uma atuação de mais de 20 mandatários em palco e depois ajudou o Costa lesionado a subir ao palco

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PS. Candidato lesionado pede "votinho na mãozinha". Ao almoço foi "a Cláudia que improvisa" quem deu a ajudinha

Não se rima em título, mas aqui haveria justificação. Costa apareceu com dificuldades em mover-se e pediu votos à moda de Soares. Mas quem animou o almoço foi a mulher das rimas fáceis.

No dia em que o próprio candidato está a precisar de uma mãozinha (tem uma lesão nas costas que o afastou das arruadas e move-se com dificuldade), António Costa veio dar um toque soarista à campanha, ao pedir “votinhos com a cruz posta à frente do símbolo da mãozinha”, porque isso é que conta e não o “ir à frente” nas sondagens. No almoço-comício de Vila Nova de Famalicão, o candidato socialista discursou com uma cadeira atrás e visivelmente incomodado com a lesão que o obrigou a ir às urgência do hospital de Viana na noite anterior. Quando acabou, sentou-se de imediato, depois seguiu para a mesa e ainda ouviu a atuação da “Cláudia que improvisa”, uma mandatária distrital do partido que até com “geringonça” rimou.

“Obrigada a quem me convidou/em tempos de geringonça/como à coisa se chamou/o que importa meus amigos é que a geringonça funcionou”. Cláudia é imparável, desde mandatária distrital para a cultura popular (no vastíssimo ‘governo’ distrital que o líder do PS-Braga fez questão de apresentar em palco) a artista animadora de comícios eleitorais pelo grupo “Minhoto e marotos”. De vestido vermelho, disparou em rimas e pôs a rir a mesa de honra, onde estavam António Costa, Ana Catarina Mendes e Carlos César.

Barreto, o deputado e mestre de cerimónias distrital, estava que não cabia em si de orgulho. Durante a atuação de Cláudia Martins ia-lhe susurrando ao ouvido a quem mais tinha de se referir neste discurso de agradecimento cantado e a artista lá ia respondendo em rimas simples atiradas sobre todos, mesmo que a métrica nem sempre saísse a ganhar. “Obrigado a quem acreditou/ mas eu não sei cantar de cor/por isso faço de improviso desde o pequeno ao maior/não se esqueçam de votar PS para fazer mais e melhor”.

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Barreto lançado até inventa nova lesão ao candidato

Em clima de festa, estava para trás das costas (até ver) a turbulência da feitura das listas de candidatos pelo distrito que pôs a estrutura local a queixar-se de abuso da direção nacional do partido. Na altura, Costa foi além do que consta nos estatutos sobre o peso da quota nacional na escolha da lista — e até Pedro Nuno Santos, secretário nacional de Costa assinalou isso numa reunião da direção. Mas isso é passado e este sábado Joaquim Barreto aproveitou a presença do secretário-geral do PS do seu distrito para lançar uma infindável lista (são 30 nomes) de mandatários distritais do partido nestas eleições. Mais de 20 subiram ao palco, um a um, com apresentação cuidada de Barreto e até uma imagem exibida no ecrã da sala.

O auditório já sorria com a verdadeira atuação do deputado por Braga que, no final, ainda se dirigiu aos jornalistas para explicar que a sua ideia é aproximar o partido “das gentes” de cada área. “Está ali o meu assessor e dá-vos a lista. Isto é tudo novo”. Mas nem era preciso, ele já a tinha explorado de ponta a ponta, com pequenos apontamentos sobre quem ia avançando para o palco. Caso da mandatária distrital para os pastores, Rosa Pereira, “a mulher que guarda o gado”. “E os pescadores também não ficaram esquecidos. Armindo Ribeiro, de Esposende, mais conhecido por Mourinho”, atirava Barreto reclamando o seu próprio Mourinho. É quase um Governo. “É pois!”, lançava cá atrás quando, depois, foi provocado pelo Observador.

Barreto ia tão lançado que no início da intervenção, mal subiu ao púlpito que havia de entregar a António Costa, arranjou ao líder socialista uma nova lesão: “Tem uma entorse no joelho, mas é um homem de resistência”. Costa ainda fez que “não” da mesa ali à frente, mas sem grande sucesso.

O líder socialista tem uma lesão nas costas que lhe está prender os movimentos, nomeadamente da perna direita. E lá foi Barreto ajudá-lo a subir o grande degrau do palco. Costa já tinha evitado as escadas à entrada do restaurante Eugénios, foi pela rampa. Depois, enquanto discursou, teve sempre uma cadeira branca alta colocada mesmo atrás, caso precisasse de se apoiar. Só a usou no fim, já aflito a mudar o apoio de uma perna para a outra. Esta noite chegou a recorrer ao hospital para tratamento e a recomendação médica foi que evitasse as ações de rua. Hoje fica em descanso, mas amanhã a organização socialista já conta ter o líder em melhores condições.

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O discurso foi, por isso, curto. Ainda que a justificação de António Costa tenha sido a de que não queria alongar-se, para não “maçar” as pessoas com mais uma intervenção sua, já que logo à noite volta a um comício em Guimarães. E serviu apenas para o apelo ao voto. “Para fazermos mais e melhor é fundamental termos de novo mais quatro anos de estabilidade do Governo do PS. É por isso que pedimos aos portugueses que nos deem força”.

De hoje a uma semana, já o país está a refletir no voto do dia seguinte e Costa entra agora no apelo mais dramático. “O voto de cada um vale o mesmo, o resultado de cada um nas eleições é a soma do voto de cada um”, contabilizou pedindo “alta mobilização” na próxima semana. “Há um grande esforço de mobilização a fazer, as eleições não se ganham nas sondagens“. O PS teme que o “estar à frente”, como diz Costa, desmobilize as pessoas da votação. O candidato só não conseguiu fazer rimar “maior” com “melhor”. Mas para isso estava lá a “Cláudia que improvisa”.

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