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António Costa esteve na associação caboverdiana em Lisboa para lembrar que ali começou a sua caminhada nas políticas de intergração

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

António Costa esteve na associação caboverdiana em Lisboa para lembrar que ali começou a sua caminhada nas políticas de intergração

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Costa entre a cachupa e as mornas, remete o caso Tancos “para a justiça”

Líder do PS quer corrigir "erro dos anos 90" e fazer acordos com países da CPLP que queiram livre circulação. Em dia morno houve mornas, mas não houve mais do que um "é da justiça" sobre caso Tancos.

Na cozinha da Associação Caboverdiana, em Lisboa, ultima-se a cachupa para o cliente do dia. António Costa é esperado para um almoço com migrantes, uma ação de campanha feita à medida para o candidato socialista poder despejar o que tem no programa eleitoral sobretudo promover a integração de imigrantes — e também para fazer render o início da sua carreira política (e não só), muito ligado a estas causas. Afinal, “não somos a Suécia” e “Portugal precisa de mais imigração”, sublinhou. Mas também quis ali deixar a promessa de avançar, mesmo que apenas alguns estados estejam abertos a isso, com a livre circulação na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Os estados que quiserem um acordo para a livre circulação podem procurá-lo junto de Portugal. E Cabo Verde é precisamente o país que assume atualmente a presidência da CPLP, por isso Costa aproveita o palco da Associação para afirmar que é este o seu desejo quando sabe que o assunto não é pacífico entre os nove países que compõem a CPLP. “Volta e meia há uns que têm maus humores — também nós já tivemos os nosso maus humores –, então iremos fazer acordos bilaterais” com quem os quiser fazer. O tema está há muito em cima da mesa da CPLP mas não se conseguiu avançar em bloco, por falta de unanimidade sobre que vistos estarão incluídos nesse acordo.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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“Foi um erro que Portugal fez nos anos 90” acabar com essa circulação sem limites, sem “salvar laços com países de língua portuguesas”, considerou Costa sobre o passado quando “todos os países da CPLP têm dito que há vasos comunicantes permanentes” entre os países.

Já sobre as entradas em Portugal, Costa também anunciou que “uma das primeiras alterações legislativas” que o PS vai propor é “acabar com essa absurda quota para a fixação de contingentes laborais para as autorizações de entrada e de residência no nosso país”. Até porque o socialista acredita que o país “só recuperará a dinâmica demográfica com a associação entre políticas de natalidade  e de imigração inteligente e reforcem a imigração e reforcem a atratividade e a fixação em Portugal de novos imigrantes”.

O candidato que também é primeiro-ministro (e aí quer continuar) acredita que “há uma regulação natural dos fluxos migratórios” e que por isso não faz sentido manter “um mecanismo anacrónico”, diz. “Essa ideia que quem vem para Portugal viver à custa de subsídios de desemprego e julgar que somos a Suécia. Não somos a Suécia. É tempo de acabar de uma vez por todas com esse contingente porque há uma regulação natural dos fluxos migratórios”, insistiu atacando “moda de muitos países europeu dizerem que não querem mais imigração. Portugal pode não estar na moda mas esta é a realidade: precisa de mais imigração”.

Costa diz que em “todos os setores de atividade” são precisas mais pessoas para trabalhar e que tem recebido essa queixa persistente das associações empresariais com quem se vai encontrando.

Tancos? “É da Justiça” (e mais nada)

Num dia e campanha apenas com duas ações — além do almoço, Costa só tem na agenda um comício à noite em Loulé. A arruada de Faro, prevista para a tarde desta quarta-feira no esboço de programa, foi cancelada, com a organização a explicar que o programa está constantemente sujeito a alterações devido à agenda do primeiro-ministro, a outra atividade de Costa neste período de campanha — acabou por reazlizar-se mas sem que os jornalistas fossem avisados. Na agenda pública pesa o caso de Tancos e Costa passou por ele a correr, até agora. À entrada da associação caboverdiana, TVI e RTP perguntaram-lhe pelo caso, mas António Costa apenas atirou que “é da justiça”.

A iniciativa era sobretudo para marcar que a sua atividade política está “intimamente” ligada à associação onde se realizou o almoço, sobretudo ao início da mesma. Afinal, foi deputado pela primeira vez em 1991 e, como líder do PS-Lisboa assumiu o compromisso com um conjunto de comunidades “para fixar um programa político de integração no programa eleitoral do PS e também de eleger pela primeira vez “dois representantes das comunidades”, o que aconteceu na legislatura seguinte, em que o primeiro-ministro era António Guterres.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Além disso, como advogado em início de carreira defendeu um caso de detenção de imigrantes no aeroporto de Lisboa, de Vuvu Grace e a sua filha — caso que referiu no discurso deste almoço para lembrar que foi o Governo de Guterres que resolveu a situação da mãe e da filha.

Sobre as entradas ainda repetiu uma ideia que o PS traz no seu programa de separar as funções de polícia de fronteira, do SEF, das que tratam do relacionamento dos imigrantes com a Administração. “Uma coisa completamente diferente tem de ser o relacionamento no dia a dia que os estrangeiros imigrantes tem com o Estado, têm de ter o mesmo relacionamento que os cidadãos portugueses”, defendeu. Depois há também a questão do racismo, que “existe de forma subliminar”, declarando que “não é a cor da pele que atribui a nacionalidade e os portugueses que são negros ou de origem asiática têm de ser protegidos no combate ao racismo, mesmo não sendo imigrantes na sua própria terra”.

Costa quer continuar as “batalhas de 1991”, garantindo que hoje é “mais fácil” e que Portugal está preparado para isso, afinal, “uma das riquezas da nossa gastronomia é que, ao contrário dos outros colonizadores cuja cozinha é particularmente sensaborona, sempre soubemos aproveitar o que mais podia enriquecer as nossa gastronomia e nunca desprezámos a riqueza dos produtos que “íamos encontrando e que nos trouxeram”. Neste fim de discurso, na cabeça já devia estar a cachupa que estava à espera na mesa.

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