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Dos jatos privados à comida de cão com estrela Michelin: Novidades e clássicos do luxo na Madeira /premium

Fomos de iate às Desertas e vimos um chef preparar uma refeição gourmet para um amigo de quatro patas. Conheça estas e outras ofertas extravagantes para conhecer a tempo do Natal e Reveillón.

    Índice

Já lá vão bem mais de 100 anos desde que a ilha da Madeira se tornou um fenómeno de turismo — muitos dizem até que foi o primeiro grande polo turístico do país. Tudo começou com a saúde: foi durante o século XIX que os médicos da Europa tomaram conhecimento da existência de uma ilha perdida no Atlântico, quase mais perto de África do que do Velho Continente, onde o verde e a natureza proliferavam. A epidemia da tuberculose ceifava vidas umas atrás das outras quando surge a ideia de enviar para esse paraíso os afetados por esta doença que tinham dinheiro para a viagem — os mais ricos, principalmente.

Mais tarde acabaram por perceber que a intensa humidade da ilha tinha o efeito oposto na saúde dos doentes e muitos acabaram por morrer. Por outro lado, os grandes aristocratas descobriram a importância (e valor) do vinho Madeira, os botânicos deram com o potencial gigantesco da flora regional e já não havia volta a dar — nascia o fenómeno turístico que ainda hoje é reconhecido mundo fora.

Muita coisa mudou, com o tempo, e hoje a importância do luxo para todo este contexto é essencial. Afinal, desde o início que os aristocratas e endinheirados europeus estão entre os primeiros visitantes (veja-se o exemplo do Imperador Carlos I da Áustria, por exemplo, que morreu na ilha com uma pneumonia e é aqui que ainda hoje permanece sepultado). A listagem que se segue é um apanhado de novidades luxuosas (e alguns clássicos de sempre) que vai poder encontrar na Madeira, tudo ainda a tempo para preparar um possível Natal ou fim de ano insular.

Ir de iate às ilhas Desertas e almoçar a bordo

No Belmond Reid’s Palace (desde 456€ por pessoa)

A paisagem arrebatadora da Deserta Grande. É na pequena baía que se vê na parte inferior da foto que fica a casa dos guardas florestais e o percurso de interpretação da natureza.

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Começaram em 1420 as primeiras tentativas de colonizar as chamadas ilhas Desertas da Região Autónoma da Madeira mas até hoje ninguém conseguiu lá fazer grande coisa. A culpa? A aridez e a ausência de água doce, principalmente. Mesmo assim a Natureza tem a força que todos conhecem bem e plantou fauna e flora de interesse que com este programa do Reid’s Palace vai poder descobrir.

A proposta do hotel prende-se com uma viagem rumo a este cenário inóspito e interessante onde é recebido pelo seu mordomo privado, que lhe serve champanhe e frutas frescas logo de entrada. Chegado à Deserta Grande — a formação geológica principal — é recebido pelos guardas florestais que lá moram com uma rotação quinzenal, e que lhe farão uma visita guiada do espaço, que tem a sua própria espécie de tarântula (não se cruzará com nenhuma, elas moram longe do percurso, não se preocupe), uma grande colónia de cabras e aves marinas raras.

Quando terminar e regressar ao barco pode ser que se cruze com o lobo-marinho Zarco e a sua família, que por ali habitam. Não é sempre garantido que o consiga ver, ele poderá sentir-se mais tímido no dia da sua viagem, por exemplo, mas um mergulho na água quente e cristalina e bem mais garantido. Ainda com sal no corpo sente-se à mesa do iate e almoce tranquilamente antes de regressar ao Funchal.

Estrear os novos hotéis de cinco estrelas da ilha

No Les Suites at The Cliff Bay (desde 320€ por noite) e Savoy Palace (desde 160€ por noite)

A única coisa melhor que um novo hotel de cinco estrelas… são dois novos hotéis de cinco estrelas. Este ano a ilha da Madeira esteve muito forte nesse campeonato com a inauguração de duas novas unidades hoteleiras, ambas no Funchal (a 800 metros uma da outra, na verdade). Apesar de ambas apostarem na gama de mercado chamada premium, são bem diferentes uma da outra. O Les Suites at The Cliff Bay é o filho mais novo do grupo Porto Bay e é quase um boutique hotel no sentido em que tem apenas 23 suites distribuídas por duas casas centenárias e um outro edifício complementar, esse feito de raiz. Todas estas alas são unidas por jardins frondosos e cheios de flores e, claro, não falta uma piscina infinita virada para a Baía do Funchal.

O novo Les Suites nasce de dois edifícios antigos que foram totalmente remodelados e atualizados.

Henrique Seruca

O Savoy Palace, por sua vez, é o total oposto deste Les Suites. Ao todo, esta novidade de aspeto arrojado (é o maior projeto da designer Nini Andrade Silva) conta com 352 quartos, 14 “pool suites” (quartos com piscinas privadas, entenda-se), 2 suites presidenciais e oito restaurantes. Este será sem dúvida um dos maiores investimentos turísticos na Região Autónoma de 2019 e para perceber isso basta ver também as suas gigantescas piscinas exteriores, viradas para o mar, ou até a maior das suas salas de reuniões que tem capacidade para 1400 pessoas. É tudo em grande e em bom.

Viajar de jato privado e ter um mordomo de serviço

No Savoy Palace (desde 13895€ por pessoa)

É como se realizasse uma fantasia qualquer de ser uma estrela de cinema ou futebolista de classe mundial. Uma das várias experiências proporcionadas pelo novo Savoy Palace chama-se “Fly Me To Paradise”, algo que numa tradução livre para português resulta em “leva-me de avião para o paraíso”. E em que é que isto consiste? Basta imaginar uma qualquer publicação no Instagram de Cristiano Ronaldo, por exemplo, para perceber: um transfer privado apanha-o em Lisboa, leva-o ao aeroporto, por lá apanha um jato privado que seguirá rumo à “Pérola do Atlântico”, onde novo carro privado o levará para o hotel.

A fachada do novo Savoy Palace Hotel

Henrique Seruca

Se a história ficasse por aqui já era bom, afinal não é todos os dias que pode viajar num avião a jato só seu com todas as mordomias a que tem dinheiro. Contudo, ainda há mais. Incluído neste pacote está a estadia numa das duas suites presidenciais da casa, verdadeiros palácios que até piscina privada e serviço de mordomo 24h por dia tem. Como se não bastasse, este serviço que só é válido para mais de duas pessoas, dá-lhe ainda o direito a um organizador de viagem privado, ou seja, um responsável do hotel que ficará encarregue de definir todos os pormenores da sua estadia — dos sítios que quiser conhecer aos restaurantes que quiser provar. Se muito se fala sobre não existirem almoços grátis, neste caso também não esteja a contar com preços modestos — o valor médio, por pessoa, exigido para ter tudo isto começa nos 13 895€… por pessoa.

Dar “comida Michelin” ao seu amigo de quatro patas

No Belmond Reid’s Palace (desde 35€ por dia)

Se todos nós gostamos de comer bem, por que motivo os nossos animais de estimação hão de ser diferentes? Por justa que seja a pergunta retórica, há extremos que extravasam qualquer imaginação e este serviço do clássico Belmond Reid’s Palace é um deles.

O simples facto deste hotel de luxo ser pet friendly  já é surpreendente — não há muitos, do mesmo patamar, que o sejam — mas o serviço “The Pet Set” é ainda mais admirável. Por um valor que pode ir dos 35 aos 90 euros por dia o seu cão será tão bem tratado como o seu dono com serviços que variam entre, por exemplo, ter um membro do staff do hotel a passear o animal pelos jardins do hotel (eles não são permitidos em zonas como o lobby, os restaurantes ou o spa, por exemplo); serviço de tosquia ou até um conjunto de cama, gamela de água e três refeições por dia no quarto do dono — no total há 15 serviços que pode requerer só para o seu cão. O tema da comida, por sua vez, acaba por ser aquele que mais atenção merece, ora vejamos.

O chef Luís Pestana, que segura uma estrela Michelin no restaurante William, e a comida de cão que prepara para os hóspedes de quatro patas

Diogo Lopes/Observador

O restaurante William é o fine dining do Reid’s Palace e tem, desde 2016, a distinção de uma estrela Michelin. O seu chef é o madeirense Luís Pestana e é ele que tem a seu cargo não só a ementa da casa de luxo como também as refeições que o seu animal poderá devorar. Aliás, é ele que as prepara todas.

Como confesso amante de animais, o chef Pestana não teve qualquer problema em criar uma ementa com cinco sugestões de pratos, todos eles feitos, pensados e aprovados junto de veterinários especialistas, onde podemos encontrar iguarias como o bife tártaro com vegetais e fruta, o tártaro de salmão com banana e ervas, as almôndegas saudáveis, o arroz de frango e legumes e até as iscas de fígado de vitela salteadas com cogumelos e cebola. Se isto não bastar o cliente pode ainda pedir qualquer tipo de ração industrial, caso seja essa a preferência do animal.

Alguns dos pratos que o chef Luís Pestana pestana prepara para os cães que ficam hospedados no Belmond Reid's Palace.

Diogo Lopes/Observador

Dormir na casa de uma das mais importantes famílias do comércio do vinho Madeira

No Blandy’s Wine Lodge (desde 95 euros por noite por um T2)

A par das bananas e de Cristiano Ronaldo, o vinho Madeira é um dos ex-libris mais famosos desta região autónoma portuguesa. O seu comércio e produção já tem vários séculos e, à semelhança do vinho do Porto, por exemplo, a sua produção e exploração comercial sempre esteve muito ligada a famílias endinheiradas e da alta sociedade britânica. O clã Blandy, por exemplo, foi dos primeiros a realmente dinamizar o negócio deste vinho licoroso e hoje, a casa do seu primeiro proprietário, John Blandy, foi transformada num conjunto de quatro apartamentos que podem ser ocupados por qualquer visitante que procure alojamento de qualidade no coração do Funchal.

Aspeto de dois dos apartamentos seculares da família Blandy's onde vai poder ficar alojado.

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A casa em questão fica na parte de cima do edifício (comprado por John em meados do século XIX) onde sempre foi guardado o famoso vinho, das enormes pipas às garrafas mais antigas. Esse espaço ainda serve para guardar o importante néctar mas parte dele foi transformado no Blandy’s Wine Lodge, um conjunto de museu, zona de provas e loja — há uma sala  especial,por exemplo, onde são guardados os Madeiras mais raros, alguns de anos tão longínquos como 1920.

É por cima disto tudo que ficam as casas Malvasia, Bual, Sercial e Verdelho (os apartamentos foram nomeados de acordo com as principais castas utilizadas no vinho). Três delas têm capacidade para seis pessoas e a outra alberga apenas quatro, essa é a principal diferença entre estes alojamentos onde a família Blandy viveu até há relativamente pouco tempo. Depois da sua saída, tudo foi remodelado e adaptado para satisfazer os hóspedes. Há quartos privados, casas de banho, salas e cozinhas que, se assim desejar, podem já estar de frigorífico cheio assim que chegar.

Ver de perto mais de 500 espécies de flores raras

Na Quinta Jardins do Lago (gratuito até quatro pessoas; mediante consulta para grupos maiores)

É justo dizer que a natureza é o nosso maior luxo e a grande notícia que temos para lhe dar neste capítulo é que não vai precisar de gastar um cêntimo com ela, ao contrário das restantes sugestões. A Madeira é particularmente abençoada nesta área, muito por culpa do seu clima tropical rico em humidade e terra fértil — “aqui cresce tudo”, ouve-se muitas vezes pela ilha. A combinação destes fatores faz com que a flora madeirense seja um grande chamariz para os curiosos de botânica e, para todos eles, não há como evitar o paraíso escondido chamado Quinta Jardins do Lago.

Os enormes jardins desta quinta madeirense.

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Trata-se de um hotel/resort de cinco estrelas completamente rodeado de verde que se pode gabar de ter um jardim botânico com praticamente 2,5 hectares de beleza natural. Falamos de mais de 500 espécies de plantas e flores onde não faltam árvores centenárias e muitas outras surpresas, algumas que remontam ao início do século XVIII. Pode ver espécimenes como a madeirense Dracaena draco, a Syncarpia glomulifera da Austrália, a Cinnamomum camphora da China e do Japão bem como a Pandanus útilis e a Revenala madagasceriensis do Madagáscar. As visitas aos jardins são abertas a não hóspedes e conjuntos até quatro pessoas não pagam qualquer admissão — só grupos maiores é que terão de combinar tudo previamente, até o preço da aventura.

Saborear o primeiro e único duas estrelas Michelin da Região Autónoma

No The Cliff Bay (Menu de degustação a 130€ por pessoa, sem vinhos)

Esta mesa pode ser a sua quando visitar o Il Gallo d'Oro, do chef Benoit Synthon.

Henrique Seruca

O chef Benoit Synthon pode ser francês de nascença mas seguramente que o seu coração já se naturalizou madeirense. O líder do único restaurante com duas estrelas Michelin da Madeira é um confesso apaixonado pela ilha e os seus frutos, dedicando aos seus pratos a maior das atenções para combinar produtos autóctones com a leveza e sofisticação das técnicas de cozinha gaulesas — a combinação perfeita, muitos diriam.

Localizado no piso térreo do hotel The Cliff Bay, o Il Gallo d’Oro é um clássico impossível de ignorar quando se faz uma lista do luxo na Madeira. Dispondo de opções à carta e um menu de degustação fixo (pode fazer uma degustação personalizada com o cliente a escolher individualmente das escolhas à la carte), o “Menu Confiance”, têm em pratos como “A Bola de Ouro” — clara inspiração em Cristiano Ronaldo que ficará no mistério para não estragar a surpresa –, a combinação de sapateira, abacate e gaspacho ou o carabineiro royal. Na garrafeira brilha uma enorme coleção de referências nacionais que lhe podem ser servidas em pairing mediante o pagamento de 67€ por pessoa. No geral, é portanto, uma aposta que não falha.

Gastar 4500 euros numa garrafa (especial) de vinho Madeira

No Blandy’s Wine Lodge (4500 euros por garrafa)

Este vinho comemorativo e de edição limitada (só existem 600 garrafas) vem numa caixa especial que presta homenagem aos ofícios típicos da madeira, do vime aos bordados.

Diogo Lopes/Observador

É impossível não voltar a falar no vinho Madeira, esse clássico intemporal que ainda hoje continua a ser servido depois de jantares por esse mundo fora. Como estamos aqui a falar de extravagâncias vem mesmo a jeito a mais recente novidade da Blandy’s que decidiu celebrar em grande o 600º aniversário da colonização do território madeirense.

Em questão está a garrafa numerada (só existem 600, claro) deste “MCDXIX Winemaker Selection”, uma verdadeira homenagem a esta terra e às suas tradições. Trata-se de um “blend” de outros onze vinhos dos séculos XIX, XX e XXI que foram envelhecidos como manda a tradição e englobam as cinco castas brancas típicas da Madeira: a Sercial, Verdelho, Terrantez, Boal e Malvasia. Esta mistura faz com que nasça um néctar super equilibrado onde, por exemplo, a frescura das uvas Sercial se equilibram com a profundidade das Boal e Malvasia e até ganham uns toques de especiarias com a Terrantez.

O preço de cada garrafa ronda os 4500 euros mas, se o vinho em si já o justificava, há também toda uma embalagem especial que presta homenagem às artes e ofícios da Madeira, sejam elas o bordado (vêm com um pano personalizado) ou o trabalho com vime. A garrafa em si é feita de cristal, tem capacidade para 1,5 litros e à volta do gargalo tem uma decoração metálica trabalhada à mão. Quase todos os vinhos usados para fazer este blend têm 100 anos — o mais velho é de 1863 e o lote mais novo é de 2004 — e não há duas garrafas iguais. Quer mais exclusividade que isto?

Bebericar champanhe enquanto lhe arranjam as unhas

No Savoy Palace (desde 35€ até aos 280€)

Uma das salas de tratamento do Laurea Spa, no Savoy Palace.

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Já se falou de navegar, comer, beber, dormir e passear. Para a oferta ficar completa só falta invocar o verbo “tratar”. Nessa categoria encontramos o novíssimo Laurea Spa, do Savoy Palace, cujo nome é inspirado na frondosa e característica floresta laurisilva madeirense e isso reflete-se na sua decoração em tons de castanho e verde. Há quem diga que este é o maior spa de Portugal inteiro, até.

Estamos a falar, no total, de um conjunto de 11 salas de tratamento, sauna, jacuzzi, fonte gelada, chuveiros sensoriais, piscina aquecida interior, sala de haloterapia (para tratamentos feitos com sal), centro fitness, salão de beleza e, finalmente, a pièce de résistance, um bar de unhas e champanhe. É verdade, aqui existe mesmo um sítio onde pode ter alguém a fazer-lhe uma manicure enquanto só se tem de preocupar em beber da sua flute.

De um modo geral este centro de bem-estar dispõe de mais de vinte tratamentos específicos onde há espaço tanto para coisas mais clássicas como a aromaterapia ou as massagens shiatsu assim como ofertas mais inovadoras como as massagens próprias para caminhantes (caso se aventure nas famosas levadas madeirenses) ou um tratamento facial à base de oxigénio. Aqui vai encontrar a lista completa de tudo o que aqui poderá fazer, o difícil será escolher só uma.

O Observador viajou a convite do Belmond Reid’s Palace

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