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Chegou acelerado, mais tarde do que tinha previsto. A chuva cerrada roubou-lhe tempo na estrada, afinal Lisboa-Bragança ainda pode demorar nove horas de viagem. “Desculpem o atraso”, foi a primeira coisa que disse para logo ir vestir a jaleca e embrenhar-se na cozinha, como num outro dia normal de trabalho. É o primeiro serviço de Óscar Gonçalves depois de o seu G Pousada ganhar a primeira estrela Michelin.

Seu, não — “este prémio é de todos”. Do irmão António, que é ao mesmo tempo chefe de sala, sommelier e o rosto da gestão da Pousada, o braço direito que em tantas ocasiões se confundiu com o próprio braço de Óscar; do pai Adérito, que trabalhou nesta mesma pousada em pequeno e durante 15 anos, antes de abrir o seu estabelecimento em Vinhais com preços que queimavam como a geada, diziam as bocas locais; da mãe Iracema, cujas mãos afagavam os dois filhos, nascidos e criados no Geadas tradicional, com a mesma dose de devoção que mexiam um arroz de lebre no tacho. “Só com amor e gostando do que se faz é que se tem resultados”, diz o pai Adérito alumiado pelos toros da fogueira, na sua postura sempre atenta, zelosa, calma e omnipresente. A frase resume em tudo o que é esta estrela. É a estrela de uma família e de uma região.

O Guia Michelin descobriu a comida transmontana e deu-lhe uma estrela: esta é a história do G Pousada

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