As novidades da Apple não foram poucas: três novos iPhone a seguir a tendência de um ecrã sem botões físicos, como o X, e um Apple Watch. O maior evento anual da empresa fundada por Steve Jobs teve novos produtos, mas também deixou por terra as expetativas de quem queria outras notícias, como um novo iPad ou novos MacBook.

Deixamos, os principais anúncios, e os que ficaram por anunciar, do evento de 2018 da Apple.

O que foi anunciado…

iPhone Xs e Xs Max. Porquê Max? Porque agora é como se diz “Plus”

O novos modelos dos iPhone, os Xs e o Xs Max foram apresentados por Jeff Williams, responsável da Apple por estes produtos

Era o segredo mal guardado na antecipação deste evento. O famoso iPhone X (não esquecer, lê-se “10”) lançado em 2017, à semelhança de outros modelos dos iPhone, ganhou versões “s”. Estes dispositivos, com design bastante semelhante ao antecessor, têm mais memória, são mais rápidos e vêm com câmaras melhoradas. Em suma, são tudo o que o X foi, sem botão de menu, com um entalhe que corta parte do ecrã superior e com uma interface baseada em movimentos, mas melhores.

Mas se há dois modelos, como é que são ambos iguais ao X? Aqui, a diferença é o tamanho. O Xs tem um ecrã de 5,8 polegadas, como o antecessor. Já o Xs Max, tem 6,5 polegadas e é o iPhone com o maior ecrã até à data. Tirando o tamanho e peso, são praticamente iguais. Têm modelos com capacidade de 64gb, 256gb e 512gb (este último uma novidade para a Apple), são resistentes à agua (até 2 metros de profundidade) e poeiras, com uma classificação IP68 (das mais altas atribuídas). Além disso, têm duas câmaras grande angular de 12 megapíxeis com abertura de ƒ/1,8 e câmara frontal de 7 megapíxeis com abertura de ƒ/2,2. O processador é o novo A12 Bionic, que é feito pela Apple propositadamente para estes equipamentos móveis, e “muito mais rápido”. Em suma, querem ser melhores que o X — que já era dos melhores no mercado.

Os ecrãs Super Retina HD destes equipamentos prometem fazer esquecer o entalhe que, no topo do ecrã canto a canto, mantém a câmara frontal e outros sensores, como o reconhecimento facial para desbloquear os telemóveis.

Quanto a preços, estes novos modelos Xs seguem a tendência do iPhone X e têm preços (muito) pouco modestos. As versões com menor capacidade (64 gb) dos Xs e Xs Max custam 1179 euros e 1279 euros, respetivamente. O último é o iPhone mais caro de sempre apresentado pela Apple — e é dos smartphones mais caros no mercado.

iPhone Xr, o iPhone X “mais barato” de 879 euros e o Dual-Sim nos iPhone

Os iPhone Xr lembram os modelos 5c, que eram mais baratos que os modelos 5s e que tinham também várias cores

1179 euros é um preço elevado e mas mesmo assim quer um iPhone com um ecrã de canto a canto? A Apple, sendo a Apple, lançou uma versão mais ‘em conta’, o Xr. Preço? 879 euros para a versão de 64gb. Com acabamentos mais modestos e até seis cores (encarnado, amarelo, branco, coral, preto e azul), o Xr é para o iPhone Xs o que o iPhone 5c foi para o iPhone 5s, em 2013. Mais barato e menos potente.

Em relação aos irmãos mais caros, o Xr tem versões de 64 GB, 128 GB e 256 GB. Quanto ao tamanho, fica entre o Xs e o Xs Max, com 6,1 polegadas. Já o ecrã, em vez de ser OLED, como nos modelos mais caros do X, é LCD (é de menor qualidade), e utiliza a nova tecnologia “Liquid Retina HD” para ter cores vivas. A resistência é também menor em relação aos Xs, com certificado IP67. Ou seja, resiste até 30 minutos e até um metro de profundidade.

Sendo um iPhone X mais ‘modesto’, a câmara traseira utiliza apenas uma lente. Contudo, quanto à bateria, o iPhone Xr surpreende e, segundo a Apple, tem até mais uma hora e meia de autonomia do que o iPhone 8 Plus. A maior novidade de todos estes iPhone veio também no fim: a Apple, pela primeira vez, permite que estes equipamentos suportem Dual-Sim (apesar de o segundo cartão precisar de sistema de dados por ser “eSIM”).

Apple Watch Series 4, um novo relógio que até dizem que faz eletrocardiogramas

O Apple Watch Series 4 tem a mesma bateria mas é mais fiável na monitorização dos batimentos cardíacos

Foram três novos modelos de iPhone apresentados esta quarta-feira no evento da Apple, mas houve ainda espaço para um novo relógio. “O Apple Watch não é só o smartwatch número um, é o relógio número um no mundo”, afirmou em palco Tim Cook, o presidente executivo da Apple. Quem esperava um conceito completamente novo de Apple Watch pode ter ficado desiludido. Contudo, o Series 4 veio com várias novidades: um ecrã maior e a missão de ser “o guardião profundo da saúde”.

A Apple redesenhou a interface do Apple Watch para permitir uma maior customização do visor. Pequenas alterações como adicionar contactos rápidos ao visor do Watch e alterar o fundo com animações são algumas das novidades deste novo modelo. O botão lateral também foi “completamente repensado e é mais mecânico”, o que o torna mais preciso nas buscas, explicou Jeff Williams. O microfone também foi redesenhado para tornar a qualidade do som 50% melhor, a fim de comunicar primeiro com a Siri: “As conversas vão ser mais claras”, promete a marca.

Quanto à saúde, o Apple Watch tem elétrodos incorporados nos cristais de safira elétrodos na parte de trás do relógio que, segundo Jeff Williams, “vai fazer eletrocardiogramas”. Os elétrodos detetam os sinais elétricos dos nossos batimentos cardíacos, transformam esses sinais em algoritmos e depois criam classificações conforme a saúde do utilizador. Fica tudo guardado num PDF que pode ser mostrado ao médico com pormenores que só se conseguiriam numa clínica, explicou ainda a Apple na apresentação. Este equipamento, que até vai detetar quedas — e, nas mais violentas, alertar o 112 –, foi aprovado pela Associação Americana do Coração, liderada por especialistas cardiologistas.

O grande ponto negativo do Apple Watch Series 4 é a bateria: “para um dia inteiro, ou 18 horas”, disse a Apple. Ou seja, quem esperava um relógio inteligente da empresa californiana que não tivesse de carregar todos os dias, vai ter de esperar. O Series 4 vai estar disponível a partir de dia 21 de setembro em Portugal, por 439 euros e 469 euros, nas versões de 40mm e 44mm, respetivamente. A versão com cartão SIM próprio, que permite comunicar sem estar conectado ao iPhone, não foi anunciada para Portugal.

O que ficou por anunciar…

iPad X ou os novos Pro. Os tablets não têm também direito a perder o botão?

Em 2017, a Apple anunciou o iPhone X e uma nova forma de interagir com um dispositivo sem um botão de menu. Depois de alguns rumores, esperava-se que, em 2018, aparece com uma versão tablet pensada para o iOS 12, que ainda está por chegar. Com os últimos iPad focados em estudantes lançados em março de 2018 e os modelos Pro a terem sido lançados exatamente um ano antes, esperava-se o anúncio de um novo tablet pela empresa que, praticamente, criou este mercado. Contudo, os rumores mostraram porque é que é preciso esperar por estes eventos e mostraram-se infudados.

O Macbook Air tem, oficialmente, um design com poucas alterações, 10 anos, e sem sucessor

O Macbook Air foi anunciado em 2008 por Steve Jobs. Desde aí que o design não mudou (tirando pequenas alterações no trackpad e nas especificações). Com os últimos modelos a terem tido atualizações de hardware em 2017, havia meios especializados a esperarem uma nova versão deste MacBook ultraleve.  Não foi desta, havendo já quem lance o novo rumor, como o CNET, que pode ser em outubro que a Apple revela os novos portáteis com ecrã de retina, sensor de impressão digital com um ecrã de 13 polegadas.

SE 2? Não, O iPhone de 4 polegadas e mais barato continua sem nova versão (e foi descontinuado)

O iPhone SE continua a ser dos equipamentos da Apple que mais vende. Lançado em 2016, não só é dos iPhone mais baratos, era o mais pequeno atualmente no mercado, com 4 polegadas. Depois do anúncio desta quarta-feira de novos produtos, foi descontinuado e sem um sucessor. Quem esperava um SE2, com novo processador, mais memória e uma bateria maior, vai ter de se contentar com o iPhone 7 que passou a ser, agora, o iPhone mais ‘barato’ vendido pela Apple. Problema: custa, no mínimo, 539 euros e tem 4,7 polegadas.

Não se ia falar do AirPower, aquele tapete que carrega sem fios todos os produtos Apple?

O Airpower foi anunciado em setembro de 2017 e permite carregar sem fios até três equipamentos

Em 2017 a Apple, no décimo aniversário do lançamento do primeiro iPhone, mostrou o X, o Series 3 e um carregador sem fios para isso tudo: o AirPower. Tinha imagem e carregava até três equipamentos (também os AirPod, os auriculares sem fios da Apple). Contudo, até hoje, parece que é um tema tabu para a Apple. A empresa tinah prometido que “em 2018” ia lançar o esperado carregador que, sem fios, carregava os iPhone mais recentes. Faltam ainda três meses, mas neste evento nem se falou deste acessório.

Podíamos dizer “só mais uma coisa”, como Steve Jobs fez no final do evento de 2007 ao apresentar o primeiro iPhone. Contudo, Tim Cook não o fez desta vez, deixando o evento de 2018 da Apple com os novos iPhone Xs, Xs Max e Xr e um novo Apple Watch, o series 4.