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Homem de boa cepa, advogado de boa reputação, cidadão de boa palavra, gosta-se dele. António Lobo Xavier, 56 anos, habituou o país à fluidez e ao brilho do raciocínio, à subtileza da sua forma mentis, ao humor navegante entre a ironia e a mordacidade, ao tom (demasiado?) cordato que usa no seu nunca esmorecido gosto pela política. Foi dirigente do CDS, a “casa” partidária desde sempre, deputado, líder parlamentar, recusou convites para o governo e depois escolheu: a advocacia e uma “vida confortável”, o outro nome para o dinheiro e os outros mundos que ele possibilita quando bem usado. Ficou com a televisão, que é uma forma de praticar a política e “não vive sem ela”: Lobo Xavier esteve nos écrãs da SIC durante 14 anos e a partir de 7 de Fevereiro estará na TVI, com os seus companheiros desta estrada há tanto trilhada em comum. Uma mudança de morada para a Quadratura do Círculo, com foros de acontecimento no acanhado espaço público português, onde eles sabem que será porventura preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. Isto é, com os ingredientes que fizeram a história e a marca do programa.

E se este cavalheiro dissertou com surpreendente detalhe sobre o “efeito Quadratura” — em si, nos seus comportamentos, sociais e humanos, na sua vida privada e na sua actividade profissional – foi igualmente bom ouvi-lo falar do resto, que foi muito. E saber que “ninguém em sítio algum faz lampreia como ele”; que “trocaria tudo ( e “tudo” era mesmo “tudo”) por ser um virtuoso da guitarra; que convidado dia sim, dia sim para intervir, conferenciar ou debater, foi há dias falar a 50 padres sobre “o modo como um observador da sociedade vê a importância dos seminários”. “Lá fui eu sozinho para Felgueiras, num mar de chuva, a pensar no que havia de dizer. Não sabia bem o que havia de dizer, não se pode fazer um sermão a 50 padres, não é, mesmo havendo muitos na minha família…”.

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