Quando João Varandas Fernandes anunciou que implementaria no Hospital de São José a Triagem de Manchester, o sistema que avalia os quadros clínicos dos casos agudos em função da sua gravidade e recomenda tempos máximos de atendimento, deparou-se com o modelo de uma caveira à porta do serviço de urgência.

Era um protesto. Os médicos antecipavam a morte do Serviço Nacional de Saúde com a instituição de novas regras: não concebiam que a triagem fosse feita em primeira instância pelas equipas de enfermagem; e a mudança parecia-lhes confusa. “Está a ver como é preciso coragem para implementar novas medidas de organização?”, exemplificou o médico ortopedista em entrevista ao Observador.

É preciso coragem novamente para resolver a crise das urgências hospitalares em Portugal — mas as soluções existem e Varandas Fernandes apresentou as que defende ao Observador na véspera do seminário “Urgências Hospitalares” na Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, moderado pelo antigo ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes e por Carlos Costa, do Conselho Executivo da escola. O evento acontece no mesmo dia em que Manuel Pizarro, ministro da Saúde, apresenta o plano de saúde para o inverno e um dia depois de o tempo de espera das urgências no Hospital de Santa Maria ter atingido as 14 horas.

João Varandas Fernandes quer encerrar urgências e centralizá-las em um ou dois hospitais por região — algo que o ministro Manuel Pizarro já recusou fazer a curto prazo —, mobilizar recursos humanos para os serviços de urgência em funcionamento, enviar os casos avaliados com as pulseiras azuis e verdes para casa à espera de consulta e iniciar uma grande campanha de sensibilização para que os cidadãos não entupam o sistema. Mas tem a nova Direção Executiva do SNS essa “coragem política” para levar avante as recomendações do médico? É “ver para crer”.

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