Num grupo de Facebook foi partilhada uma imagem, que também já circulou — e foi desmentida — em Espanha, com uma suposta cronologia para o aparecimento de variantes do Sars-Cov2, o vírus responsável pela doença Covid-19 que alastrou a todo o mundo.

De acordo com a tabela, que se procura associar à Universidade Johns Hopkins, à Fundação Bill e Melinda Gates, ao Fórum Económico Mundial e à Organização Mundial da Saúde, as várias variantes com os nomes das letras do alfabeto grego deviam aparecer entre junho de 2021 e fevereiro de 2023, até que o alfabeto estivesse completo. Não há qualquer fundamento para a tabela partilhada na publicação.

Publicação no Facebook com alegada cronologia para aparecimento de variantes do Sars-Cov2 responsável pela doença Covid-19

Vejamos. De acordo com a tabela, a variante Delta, por exemplo, seria a primeira a surgir em junho deste ano. Ora, a variante Delta, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, foi detetada em dois estados indianos no final de 2020.

Covid-19. OMS recorre a letras do alfabeto grego para designar variantes do novo coronavírus consideradas de interesse ou preocupação

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A variante Epsilon, que segundo a imagem devia aparecer no atual mês de julho, foi identificada na Califórnia em julho de 2020. Um ano depois, a variante deixou inclusivamente de ser considerada de interesse para a OMS que atualmente tem nessa lista as variantes Alpha, Beta, Gamma e Delta.

Também fora das variantes de interesse para a OMS está já a Zeta, identificada inicialmente no Rio de Janeiro em maio deste ano. A Eta foi sequenciada pela primeira vez em França, Mayotte, e os primeiros casos foram detetados em dezembro de 2020 no Reino Unido e na Nigéria.

Continuando na lista, a variante Theta foi identificada pela primeira vez nas Filipinas a 18 de fevereiro deste ano, tendo sido depois identificada também no Japão, a 12 de março depois de um viajante das Filipinas ter chegado ao Aeroporto Internacional Narita em Tóquio.

Também a variante Iota, que a publicação previa que aparecesse em novembro deste ano, foi identificada um ano antes, em novembro de 2020, em Nova Iorque. Um mês depois, em dezembro de 2020, na Índia, foi identificada a variante Kappa. Em maio deste ano, a OMS reportava no relatório semanal que 34 países já tinham identificado subvariantes da Kappa, incluindo quatro em Portugal a 4 de maio.

Em dezembro de 2020, no Peru, foi identificada mais uma variante do Sars-Cov2, que foi depois renomeada de Lambda pela OMS. Recorde-se que a OMS passou a nomear as variantes através do alfabeto grego apenas em abril deste ano, sendo antes disso conhecidas por números. Neste caso, a variante Lambda pertence à linhagem C.37. Depois de ter sido detetada no Peru no final de 2020, quatro meses depois, cerca de 80% de todos os casos detetados no país já eram dessa variante.

Através dos exemplos já dados é fácil perceber que não há qualquer fundo de verdade na publicação partilhada, até porque parte das variantes e datas previstas já se encontram largamente ultrapassadas. Em relação às variantes que ainda não foram identificadas, segundo o sistema de nomeação da OMS, seguirão a ordem do alfabeto grego.

Conclusão

Não é possível estabelecer qualquer ligação entre o aparecimento de novas variantes e as fundações ou organizações que estão identificadas na imagem. Além disso, basta ver a data de surgimento de grande parte das variantes, já ultrapassada, para se perceber que se trata de uma tabela sem qualquer fundo de verdade e que se limitou a seguir as letras do alfabeto grego e a associar-lhes uma variante por mês, desde junho de 2021, ignorando completamente as variantes que já foram identificadas ao longo do tempo.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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