As dúvidas relativas à vacinação contra a Covid-19 têm vindo a aumentar à medida que vão sendo disponibilizadas mais vacinas para combater a pandemia. No passado domingo, surgiu uma publicação de Facebook, em português, que partilhava uma fotografia de uma médica norte-americana, Sarah Beltran Ponce, que tinha, aparentemente, sofrido um aborto depois de ter sido vacinada. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Esta publicação não partilha qualquer prova daquilo que diz que aconteceu: nem uma notícia nem dados sobre a médica ou outra informação relevante. Na verdade, a médica não se chama Sarah Beltran Ponce, mas sim Amy Guy-Ulrich. A própria esclareceu que a publicação original não é verdadeira. “Este é um post falso que circula no Twitter, no Instagram e no Facebook, usando a minha fotografia. É uma fraude. Estou feliz, com saúde e continuo grávida. O meu bebé vai nascer no próximo mês, é muito grande e saudável!”, escreveu Amy Guy-Ulrich na sua página de Facebook, cujo conteúdo ficou entretanto disponível apenas a perfis do grupo de amigos.

A mulher da fotografia verdadeira voltaria a falar no caso, partilhando mais imagens do seu dia de vacinação. Uma delas é, de facto, a mesma que foi partilhada pelo autor referido inicialmente. Em vários dos comentários é referido que a história do aborto é real. Para isso, partilharam posts de uma conta de Twitter de uma médica — essa sim chamada Sarah Beltran Ponce — onde fala da sua tragédia. No entanto, mesmo que a história seja verdadeira, a fotografia utilizada é de outra pessoa, que já desmentiu o caso.

No seu esclarecimento, a profissional de saúde dos EUA partilhou ainda algumas informações relativas à vacinação administrada a grávidas naquele país. Segundo um comunicado conjunto entre várias instituições como a Society of Gynecologic SUrgeons ou a Society for Maternal-Fetal Medicine, datado de 15 de dezembro do ano passado, as mulheres grávidas “devem consultar o seu médico para perceber se devem tomar a vacina ou não”. Depois, também é referido que esta parte da população não foi incluída nos testes clínicos da vacina da Pfizer /BioNTech.

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Segundo as recomendações e esclarecimentos do site do SNS24, ainda não é possível saber se uma mulher grávida transmite Covid-19, antes, durante ou após, ao feto ou ao recém-nascido. No que diz respeito à vacinação, podemos olhar para o que foi dito sobre a primeira vacina que chegou a Portugal, a Pfizer /Biontech. “Uma vez que o desenvolvimento de vacinas não envolve o recrutamento nem de crianças nem de grávidas, ainda não há dados relativamente à vacinação em grávidas. A administração da vacina em mulheres grávidas deve ser avaliada pelo médico assistente, de acordo com a relação benefício-risco”, lê-se no site da Direcção Geral da Saúde. Algo que está em linha com o que foi referido pelas autoridades de saúde norte-americanas, no comunicado acima descrito.

Quanto à Organização Mundial de Saúde, também recomenda que as mulheres grávidas não devem ser vacinadas — tanto com a vacina da Pfizer/BioTech como da Moderna –, a não ser que estejam em risco alto de exposição ao vírus.

Por outro lado, não existe ainda informação oficial disponível sobre casos de mulheres grávidas que tenham registado complicações depois de terem sido vacinadas com algumas das vacinas disponíveis no mercado contra a Covid-19.

Conclusão

Não é verdade que a médica apresentada no post tenha abortado depois de ter sido vacinada contra a Covid-19. No caso concreto, foi partilhada uma imagem de uma profissional de saúde que, horas depois, veio garantir que a publicação era falsa. Amy Guy-Ulrich “encontra-se bem”, tal como o seu bebé, que vai nascer em breve. Além disso, nos Estados Unidos da América, uma mulher grávida tem de consultar o seu médico para perceber se deve ser vacinada ou não. No entanto, ainda não há provas suficientes de que o devam ser, já que não foram incluídas nos ensaios clínicos.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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