Afirmar que é o Kremlin que está por detrás dos “coletes amarelos” significa desresponsabilizar os dirigentes franceses da grave crise social e política que o país atravessa, mas, por outro lado, é perigoso não querer ver que Putin pretende tirar proveitos dos confrontos em França.

As suspeitas de que Moscovo poderá estar na origem das desordens em Paris e noutras cidades francesas foram levantadas, nomeadamente, pelos serviços secretos ucranianos (SBU) com base em fotografias onde se vêm dois dos manifestantes franceses com uma bandeira da República Popular de Donetsk, região separatista do Leste da Ucrânia que é apoiada pelo Kremlin. Segundo Kiev, esses franceses desenvolvem, há muito tempo, actividades a favor dos separatistas pró-russos.

Depois, voltou-se a falar da alegada utilização das redes sociais por parte do regime russo para atiçar e radicalizar o movimento dos “coletes amarelos”. Jean-Yves Le Drian, ministro dos Negócios Estrangeiros francês, comentou essas suspeitas com cuidado: “Estou ao corrente desses boatos… Esperemos pelos resultados da investigação. Não vou julgar enquanto não existirem factos confirmados”.

É sabido que o regime de Vladimir Putin tem excelentes relações e, nalguns casos, financia forças europeias de extrema-direita, nomeadamente a Frente Nacional de Marine Le Pen, e isto tem várias explicações.

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