O PM atacou a Holanda por falta de solidariedade, criticando o seu governo pela recusa de emprestar dinheiro sem condicionalismos. Ora bem, soubemos esta semana que qualquer ajuda do governo à TAP será com condicionalismos, apesar da crise ser a mesma crise. Ou seja, na doutrina socialista, um país estrangeiro, apesar de europeu, tem mais obrigações em relação a outros países do que o governo de Portugal em relação a uma das principais empresas nacionais. O que dirão os holandeses quando souberem que o governo português não empresta dinheiro a fundo perdido a empresas do seu país? Mas exige que o governo holandês e outros governos se financiem para emprestar dinheiro a países como Portugal a fundo perdido.

Obviamente, António Costa sabe que politicamente não pode emprestar recursos dos contribuintes portugueses sem condições. O PM holandês pensa exactamente da mesma maneira. Não pode emprestar recursos dos contribuintes holandeses sem condições. Ou seja, afinal, Costa pensa como o PM holandês. Mas deixo uma sugestão ao governo português. Emprestem dinheiro à TAP com os mesmos juros com que podem recorrer aos empréstimos do MEE, em vez da TAP emitir dívida nos mercados a juros mais altos, através de um banco chinês, onde quem vai ganhar dinheiro, e não será pouco, será o banco, os seus assessores e os investidores especuladores no mercado de obrigações secundário.

O governo também decidiu emprestar dinheiro à comunicação social. Neste caso, serão empréstimos ‘à holandesa’, com condições, ou de acordo com as exigências de Costa aos holandeses, sem condições? Supondo que a imprensa não deve ser melhor tratada do que a TAP, quais serão então as condições? O governo justifica as ajudas à comunicação social por causa do seu papel excepcional nas sociedades democráticas, se assim não fosse, então também emprestaria a hotéis, restaurantes, clubes desportivos e por aí adiante. É precisamente por causa da natureza excepcional da comunicação social que queremos saber as condições dos empréstimos. Se uma empresa de comunicação social privada defender posições de esquerda ou de direita, isso só diz respeito aos seus acionistas. Mas se os recursos dos contribuintes portugueses forem usados para promover uma maior aproximação entre o governo e a comunicação social, isso será inadmissível. Os impostos dos portugueses não podem ser usados para limitar a liberdade de informação. Os políticos tão empenhados em celebrar o 25 de Abril também se preocupam com esse perigo? Salazar não ameaça a democracia portuguesa, mas um governo com demasiada influência sobre a imprensa ameaça.

Na semana que passou, também houve políticos das esquerdas radicais a exigir que a EDP não distribua rendimentos aos seus acionistas, porque seria inaceitável em momentos de crise. Curiosamente, como veremos em baixo, são as mesmas vozes que exigem aumentos dos salários dos funcionários públicos apesar da crise. Em relação à EDP, o governo nada fará, embora não seja pelas melhores razões: o maior acionista é uma empresa pública chinesa e o governo não se atreve a prejudicar os chineses. Mas, apesar das más razões, o governo faz bem em nada fazer em relação à decisão da EDP de distribuir dividendos. É uma decisão que compete apenas à empresa e aos seus acionistas.

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