Uma vez mais, um hacker matou a nossa ‘inocência’. Graças a Rui Pinto, ninguém pode agora ignorar, ou fingir que ignora, a origem da fortuna de Isabel dos Santos. Em 2013, Edward Snowden, um fornecedor de serviços da Agência Nacional de Segurança dos EUA, já havia mostrado ao mundo como o Estado americano usava (ou usa) de forma abusiva os nossos dados pessoais. Desde então, deixámos de ter dúvidas de que Estados e empresas têm informação que pensávamos ser nossa, pessoal e intransmissível. Os Panama papers divulgaram informação sobre transacções financeiras que a justiça, serviços tributários e entidades de supervisão aparentemente desconheciam. Violando, amiúde, leis, muitos hackers, com o apoio fundamental dos media, têm funcionado como um mecanismo de checks and balances de combate à corrupção nas democracias liberais.

Rui Pinto pôs fim ao mito da capacidade empreendedora de Isabel dos Santos. Alguns dirão que esse era um segredo de polichinelo. A verdade é que foi a informação divulgada pelo Luanda Leaks que tornou impossível a continuação desta farsa. A despeito dos seus méritos como gestora, Isabel dos Santos gerou e alimentou a sua riqueza na sombra dos privilégios familiares e relações preferenciais com o Estado angolano.

Abundam na história do mundo casos de enriquecimento em resultado de corrupção, apropriação de recursos naturais e de privilégios decorrentes da proximidade ao poder político. Durante muitos anos, grande parte da riqueza acumulada por esses meios era reinvestida no próprio país. No entanto, nas últimas décadas as democracias liberais ocidentais passaram a ocupar um papel central na circulação internacional da riqueza acumulada por cleptocratas. Neste contexto, importa referir o papel pioneiro da Suíça no sistema mundial de lavagem de dinheiro, desde o início do século XX.

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