Família

Em 2019 gaste mais tempo com seus pais do que com suas vaidades /premium

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As pessoas, cada vez mais focadas nos seus projetos - de beleza, de imagem, de status - ficam, a cada dia, mais egoístas. São elas e suas prioridade. O resto vem depois. Sucede que o resto são pessoas

Vaidades. Cada um tem a sua. O corpo super definido com horas e horas de exercício físico. A carreira brilhante, cheia de dinheiro e bajulação. Os cabelos sedosos, alimentados por produtos importados. Lindos cãezinhos de raça, com coleiras estilosas e pelo sempre escovado. Um carro imponente, lavado a cada mínima sujeira. Uma conta de instagram belíssima, cujas fotos sempre têm a luz certa, nos melhores ângulos. Livros complexos, autores célebres, escolhidos não por vontade, mas sim por status. Roupas de marca, seguindo as últimas tendências da moda. Filhos deslumbrantes, com boas notas na escola e roupas de boneca. Uma pele impecável, fruto de muito filtro solar e algum botox. Vinhos da melhor qualidade, escolhidos a dedo nas melhores garrafeiras.

Todos têm suas vaidades, é impossível negar. Sejam estéticas ou intelectuais — ou ambas — elas sempre estão presentes nos nossos dias. O problema é que esses caprichos vêm se agigantando cada vez mais e ganhando proporções verdadeiramente assustadoras dentro das pessoas — pessoas essas de 15, 25, 35, 45, 55 anos. E, na era em que tudo o que sempre foi privado de repente tornou-se público através de redes sociais, as vaidades tornaram-se atos rotineiros que ocupam horas e horas do dia sendo preparados e mais horas e horas sendo divulgados.

As pessoas, cada vez mais focadas nos seus projetos — de beleza, de imagem, de trabalho, de status — ficam, a cada dia, mais egoístas. São elas e suas prioridade. O resto vem depois. Acontece que “o resto”, na esmagadora maioria dos casos, são pessoas. Pessoas que as acompanham, as esperam e anseiam por alguns minutos do seu olhar. Essa posição, da pessoa que aguarda atenção como um pedinte aguarda esmola, pode ser ocupada por um marido, uma mulher, filhos, sobrinhos, avós, tios. Mas invariavelmente é ocupada pelos pais.

Pais que fizeram seu melhor e agora aguardam. Aguardam disponibilidade na concorrida agenda dos filhos. Aguardam o luxo de receber um áudio de whatsapp com notícias superficiais no fim do dia. Aguardam que seus filhos acabem de responder as mensagens dos grupos de amigos, dos colegas de trabalho, que postem seus stories, mandem seus e-mails urgentes e, aí, quem sabe, possam responder a mensagem de bom dia dos pais. Aguardam que os filhos gastem seu dinheiro com roupas bonitas e comida boa de cachorro e, caso sobre alguma coisa, os convidem para jantar. Ou que apenas aceitem um convite para jantar e eles mesmos paguem. Eles fazem praticamente qualquer negócio.

Em 2019 defina seu foco. Se serão, mais uma vez, horas e horas dedicadas a projetos de status única e exclusivamente seus, sejam eles úteis ou inúteis, ou se haverá algum tempo para os seus pais. Um cinema no domingo, uma ligação telefônica com calma, um convite para jantar- sem que você fique mexendo no celular o tempo todo-, um passeio qualquer, um “cheguei bem”, um “obrigado por tudo”, um “durma bem”, um envio de foto, uma atenção qualquer cotidiana.

As pessoas dizem que no ano novo vão emagrecer. Vão entrar na yoga. Vão se dedicar muito àquele grande projeto profissional. Vão fazer sucesso. Vão se casar. Vão, finalmente, ser aquilo que sonharam ser. As pessoas só esquecem que, se hoje elas são alguma coisa, é por alguém fez isso por elas. E esse alguém está lá, esperando uma resposta à mensagem de ontem.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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