Serviço Nacional de Saúde

Gerir em saúde

Autor
  • Diogo Prates
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As novas gerações, não nos perdoarão se não lhes disponibilizarmos as mesmas vantagens que o Serviço Nacional de Saúde, apesar de todas as suas limitações, nos trouxe a nós.

Terminou na sexta-feira 6 de julho mais um Young Medical Leaders Program, um programa leccionado pela Universidade Católica Portuguesa que pretende dotar os jovens médicos de um conjunto de ferramentas que lhes permitam promover mudanças e inovação nos serviços de saúde onde trabalham. Gerir em saúde é substancialmente diferente de outras áreas: a sua complexidade e especificidade, a dificuldade de encontrar ferramentas convenientes de avaliação de resultados, a imprevisibilidade a que está sujeita, os diferentes modelos de financiamento propostos e o facto de ser inevitavelmente alvo de disputa ideológica torna a saúde uma área particularmente difícil quando falamos de gestão e administração.

São muitos os desafios com que os profissionais de saúde e quem os lidera se deparam no presente e terão que enfrentar no futuro: o envelhecimento da população e necessariamente doentes com mais comorbilidades, a constante evolução tecnológica, medicamentos mais inovadores e mais caros e um aumento da competição entre os empregadores pelos melhores profissionais, tudo isto representa riscos mas também oportunidades para todos os que trabalham em saúde.

Todos os dias nos chegam notícias acerca da degradação do SNS sendo a última a demissão dos chefes de equipa do serviço de urgência de medicina interna e cirurgia do Hospital de S. José, pelo que é necessário que os profissionais de saúde, nomeadamente os médicos, denunciem situações que considerem censuráveis mas, ao mesmo tempo, tenham os conhecimentos necessários para propor alternativas. A nova Lei de Bases da Saúde é uma boa oportunidade para estes profissionais darem o seu contributo de modo a colaborarem para a criação de um sistema que preste melhores serviços sem pôr em causa o equilíbrio financeiro.

A procura de formação em gestão por parte de profissionais de saúde, neste caso médicos, evidencia uma lacuna na sua formação de base nesta área, sendo poucas as Faculdades de Medicina com unidades curriculares específicas de gestão. Existe também uma cada vez maior preocupação e apetência dos médicos em dominar os conceitos básicos de gestão e liderança, para que desta forma possam dar um melhor contributo nos locais onde trabalham.

A gestão cada vez mais profissionalizada e específica de serviços de saúde não pode deixar de ter na sua administração profissionais da área, pessoas que dominem a temática da saúde e que percebem as idiossincrasias e preocupações dos profissionais. Ao mesmo tempo, cada vez mais os médicos querem ser parte interessada na gestão dos hospitais e centros de saúde onde trabalham, pelo que a complementaridade de profissionais de saúde com formação em gestão, doentes e gestores de carreira trará consigo vantagens para a prestação de serviços e para a sua eficiência.

Conhecer como se fundou, como se organiza e financia o Sistema Nacional de Saúde e estar a par das alternativas que existem noutros países, nomeadamente na Alemanha ou Suíça, onde vigoram os seguros de saúde obrigatórios privados e/ou públicos, ajuda os profissionais, gestores e decisores políticos a delinear estratégias alternativas que possam aperfeiçoar o sistema actual. Tal como o National Health System (NHS) inglês, o SNS é financiado directamente pelos impostos, pelo que neste sistema o contribuinte não sabe que percentagem do que pagou vai para a saúde, educação ou defesa. Já na Alemanha, por exemplo, onde vigora o sistema de seguro obrigatório, as contribuições para o seguro estatal de saúde dependem do rendimento. A base é o rendimento bruto total, a partir do qual é aplicada uma taxa de contribuição uniforme de 14,6% (a partir de 2018). Esta é dividida, em partes iguais, entre o segurado e o empregador, cada um contribuindo com 7,3%. Além disso, cada companhia de seguros de saúde cobra uma contribuição adicional (os valores variam), que é paga apenas pelo empregado. Se o limite de contribuição (2018: 4.425,00 euros por mês) for excedido, o rendimento não é importante para o cálculo da contribuição. No seguro estatal de saúde, as crianças e os cônjuges podem ser cobertos gratuitamente através de um seguro familiar.

O SNS comemorará 40 anos em 2019, agora é o momento certo de o reformar e actualizar. Quem vier a seguir, as novas gerações, não nos perdoarão se não lhes disponibilizarmos a eles as mesmas vantagens que este sistema apesar de todas as suas limitações nos trouxe a nós.

Licenciado em Medicina

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