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Há pessoas que gostam de pôr os outros no inferno, mas eu prefiro levá-las para o céu porque, mais do que ministro da justiça de Deus, procuro ser agente da sua misericórdia. Por isso, nestas vésperas da Páscoa, proponho-me reabilitar Judas Iscariotes, o apóstolo traidor, que a opinião pública, mas não a Igreja, condenou às profundezas do inferno.

Judas é, talvez, a mais enigmática personagem da paixão e morte de Jesus Cristo. É sabido que o mestre tinha um grupo numeroso de discípulos porque, numa ocasião, enviou setenta e dois, em missão de evangelização (Lc 10, 1). Para além destes, seguiam-no algumas santas mulheres (Lc 8, 1-3) e os apóstolos (Mc 3, 13-19), que eram os seus mais imediatos colaboradores. Estes últimos eram doze, e viviam com Jesus em comunidade, ao jeito de uma família nómada. Nalguma ocasião, Cristo dirigiu-se a eles com especial ternura, chamando-lhes “filhinhos” (Jo 13, 33), mas talvez só João fosse adolescente. Tanto quanto era próxima a relação de Jesus com Judas, maior é também a gravidade da sua traição, que levou à condenação de Cristo à morte na cruz.

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