PS

Mais uma vez, a propaganda socialista a chegar ao fim /premium

Autor
1.408

Uma certeza temos em relação aos governos do PS: está tudo a correr muito bem até ao dia em que começa tudo a correr muito mal. É quando a “política de comunicação” se torna curta para tanta realidade

Muita gente elogia, e volta a elogiar, a “política de comunicação” dos socialistas. Ouvi vezes sem conta, amigos meus, pessoas do PSD e do CDS lamentarem-se: “se nós tivéssemos a política de comunicação do PS”… Ou, “o Passos Coelho fez que devia ser feito mas não soube comunicar”. Tive sempre problemas com estes argumentos e a “política de comunicação” do PS nunca me impressionou. Mais: desconfiei sempre dessa “política” desde os tempos do Sócrates.

A “política de comunicação” do PS é basicamente convencer os portugueses de que tudo vai bem quando quase tudo vai mal. Se se usar a expressão ‘mentira organizada’, não se está longe da verdade. Obviamente, os socialistas a as esquerdas em geral beneficiam de uma complacência geral e, nalguns casos, de uma cumplicidade activa de grande parte da comunicação social. Sem esse apoio, não haveria “política de comunicação.” No caso do governo de António Costa, a “política de comunicação” beneficiou ainda da camaradagem do Bloco e do PCP. Com os camaradas mais radicais domesticados, a “política de comunicação” é mais eficaz.

O PS não resolveu um problema muito sério: nunca admitiu os erros que os seus governos cometeram e que provocaram o desastre de 2011. A culpa foi sempre de outros (e é sempre assim para os socialistas). Primeiro, em 2011, da “crise internacional” e da cobiça do PSD pelo poder. Depois, da deriva “neo-liberal” do governo de Passos e de Portas que foi “além da troika”. O PS foi incapaz de fazer uma reflexão séria sobre o que aconteceu em 2011, e sobre as responsabilidades dos seus governos. Por isso, não foi capaz de mudar. Essa incapacidade resulta da natureza dos socialistas desde os anos de Guterres: o partido tornou-se uma máquina de poder. A sua vocação e as suas clientelas exigem que não esteja muito tempo fora do poder.

Costa percebeu que os portugueses não poderiam continuar a ver o PS como um partido despesista. Foi a única lição que retirou de 2011. Mas uma coisa é convencer os portugueses que o PS já não é despesista; outra coisa, bem diferente, é mudar de políticas económicas. O resultado foi a redução dramática no investimento público na saúde, na educação e nos transportes públicos. Pelo meio, terá havido alguns truques nas finanças públicas. Só saberemos depois do PS deixar o governo. Mas a relutância de Centeno em continuar como ministro das Finanças deixa antever o pior.

A famosa “política de comunicação” criou outro problema. A promessa de restituição de rendimentos, cortados pelas “políticas neo-liberais da direita”, resultou num clima de facilitismo no país e de protestos. Onde se traça a fronteira na restituição de rendimentos? Mais, por que razão haverá um governo de restituir nuns casos e dizer que não a outros? Por que razão o governo não dá aos enfermeiros e aos professores o que eles pedem? Não eram os “neo-liberais“ que retiravam? Por que razão os socialistas não dão? Não foi isso que Costa disse aos portugueses desde o dia em que chegou a São Bento? Começa a crescer a ideia de que o PS governa sem rumo e sem estratégia. Decide de um modo arbitrário e segundo os interesses do momento. E que perante as dificuldades, se esconde e fica atrapalhado.

A acumulação de sarilhos e de trapalhadas começa a transformar a “política de comunicação” em propaganda que já não convence. Os portugueses não se esqueceram nem do modo como subitamente Guterres deixou o governo quando tudo estava tão bem, nem da bancarrota de 2011 quando Portugal era um exemplo no meio da crise internacional. Há uma certeza que temos em relação aos governos socialistas: está tudo a correr muito bem até ao dia em que começa tudo a correr muito mal. É o momento em que finalmente a “política de comunicação” se torna curta de mais para a realidade.

Nós sabemos que Costa também enfrentará esse momento. Só não sabemos quando será, antes ou depois de Outubro? E daqui até Outubro ainda falta muito tempo, sobretudo para um governo que vive de comunicação e ignora a realidade.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
FC Porto

João Félix (e youth league) /premium

João Marques de Almeida
576

Uma mensagem para todos os portistas. Vamos dar os parabéns ao Benfica, esquecer os árbitros, ganhar ao Sporting na final da Taça e apostar nos nossos jovens jogadores nas próximas épocas. 

Saúde

Inovação em Saúde: oito tendências e um caminho

Luís Lopes Pereira

Em Portugal já existem terapêuticas alvo de contratos baseados no valor. Mas a difícil e demorada contratação pública e a dependência do Ministério das Finanças têm limitado a autonomia para inovar.

União Europeia

As eleições deviam ser uma maçada

Henrique Burnay

China, Estados Unidos, Rússia, energia, clima, banca, defesa, plataformas digitais e empregos do futuro. Pela discussão que aí vai não se nota, mas as europeias são sobre tudo isto e muito mais.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)