Já sabíamos que há muitos temas que separam as direitas, designadamente o crescente papel das entidades transnacionais em detrimento da soberania nacional, as temáticas ligadas ao ambiente, a imigração, o papel do islamismo na cultura ocidental e o papel do Estado social.

Estes temas têm sido discutidos abertamente no espaço público e, em alguns casos, representam dissensões sérias entre as várias correntes de direita.

Um dos mais reputados pensadores do conservadorismo moderno, Roger Scruton, era um acérrimo defensor do nacionalismo em contraste com o globalismo e o transnacionalismo governamental. Para além disso, trouxe atempadamente para o debate as questões ambientais (hoje capturadas pela loucura esquerdista) e não negou um papel para o Estado em termos de políticas sociais. Na questão islâmica foi corajosamente intransigente e crítico quanto à captura da sociedade ocidental por parte de culturas que visam a sua destruição. A complexidade do pensamento de Scruton, ou de outros à direita, é, obviamente, sujeita a crítica. E a partir da crítica poderão surgir consensos à direita.

Em vez do diálogo crítico necessário, a opinião assinada por um conjunto de personalidades mais ou menos à direita opta por recusá-lo, estabelecendo cercas sanitárias que excluem praticamente qualquer divergência como as que aponto acima. Para os signatários, provavelmente, até Sir Scruton seria um xenófobo por pôr o dedo na ferida na questão islâmica ou, porventura, um fascista por centrar o seu conservadorismo no sentimento de pertença da nação inglesa.

Pior, este é um manifesto opinativo com uma linguagem penosamente descuidada e impregnada de lero-lero, que visa uma centralização política supostamente asséptica, mas enviesada, isto é: abrangente no conceito de extrema direita (que repudia); praticamente cega à influência da extrema-esquerda nas políticas dos partidos e na sociedade em geral (que acolhe).

Obviamente, erra por completo o alvo no que concerne à real ameaça a uma sociedade livre. Um tiro na água. Um tiro no pé.