Marcelo é um animal político no melhor sentido da palavra. Porque tem instinto, inteligência emocional, energia, fome de palco, vontade de intervir naquilo que hoje chamam o espaço público. Se estivéssemos a falar de um Chefe de Estado à americana, Marcelo tinha tudo: o sorriso, o afecto, a disponibilidade, a fotogenia, tudo o que se procura num político que possa assumir-se como agregador da nação, das suas culturas e identidades – numa época onde elas valem sobretudo pelo que se vier a saber que fizemos por elas e muito menos por algum trabalho sério que aprofunde a agregação cultural e sentido identitário da Nação.

E nisso Marcelo parece tão imbatível que começamos a temer que se nos acontecer uma graça ou uma desgraça, Ele nos entre pela porta adentro.

Nessa linha deste espumoso paternalismo ou, para ser mais sério, de alguém que parece preocupar-se com a vida e o bem-estar da Nação que representa, não há pai para Marcelo. Fareja a desgraça e faz dela uma festa de reconciliação e unidade; celebra a vitória, com enorme generosidade medalhística; e faz algo que exige vocação e sacrifício – que o diga Rui Rio, está presente! No bem, no mal, no assim-assim! No incêndio mais devastador, na mais paradisíaca praia fluvial, ou nos anos do sobrinho de um dos seus condóminos, Marcelo está lá! Disposto a tudo, atento ao que mexe, armado de um sorriso que nos reúne e que ele faz questão de registar em todas as selfies que puder.

O clímax deste frenesim mediático do Presidente a que assisti com genuíno divertimento – foi quando afastou a equipa médica que o tratou e fez (ele próprio) o relato do boletim clínico (dele próprio), numa altura recente em que um golpe de sol lhe terá provocado uma quebra de tensão.

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