André Ventura sofreu uma pressão brutal com a comunicação social, com os comentadores políticos, com os “memes” criados, com a opinião da esquerda partilhada nas redes sociais, com a tentativa de o colar ao pior dos mundos. Resistiu e soube esperar o seu momento. E sabendo que a vingança é um prato que se serve frio, fê-lo com requinte.

Ainda não é conhecido o resultado da emigração, mas até nele podem haver surpresas, ou meias-surpresas, ou quiçá, nenhuma surpresa.

São, por ora, 48 os deputados eleitos, podendo este número aumentar quando forem apurados os resultados acima mencionados. Mas, ainda que tal não se verifique, a verdade dos factos é esta: o país quis o Chega.

A esquerda veio a terreiro, de forma imediata, referir que os votos no partido de Ventura são de protesto. Estou convicto que muito o são, mas também sublinho que a grande maioria são estruturais e não meramente conjunturais.

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Repare o caro leitor que a militância efetiva no Chega tem aumentado exponencialmente; repare, de igual modo, que o voto neste partido foi transversal, apenas não elegendo em Bragança. Ou seja, ainda que muitos votos sejam de protesto, a grande maioria não o são.

Único e com capacidade de agregar, falando a linguagem do povo, indo ao encontro das preocupações da população, Ventura angariou mais de um milhão de votos e a sua expetativa – legítima, aliás – é que este número aumente nos anos que se seguem.

De forma propositada não mencionei no título deste artigo o nome de Luís Montenegro. A razão é simples. Se por um lado os resultados dos emigrantes podem inverter o número de deputados no hemiciclo, por outro a AD não foi além do PSD de Rio em 2022.

Tendo PSD e PS um resultado simétrico, é justo que se enalteça o partido que quadriplicou o número de eleitos. Recorde-se, quanto a eta realidade, que o caminho de Ventura tem sido paulatinamente assertivo e crescente, passando de 1 para 12 e agora para 48 (número que pode aumentar) deputados na Assembleia da República. Tenhamos igualmente em linha de conta que o partido foi fundado em 2019.

Dita a lei eleitoral que agora, após os resultados, cesse a coligação. Significa isto que o CDS terá um grupo parlamentar (dois deputados eleitos) e que o PSD tenha, subtraindo os eleitos do partido de Nuno Melo, o número de 77 deputados, os mesmíssimos que o PS. Faltando eleger 4 deputados do ciclo da emigração, a certeza que radica neste momento é que a ingovernabilidade é uma certeza absolutamente inequívoca.

O país não deve andar de eleição em eleição. Todavia, os resultados eleitorais foram tudo menos clarificadores. E se o PSD mantém o “não é não” contra o “sim é sim” que os eleitores plasmaram nas urnas, então poderemos ter, efetivamente, uma maioria de esquerda coligada na casa da democracia. É um cenário possível que dará dores de cabeça a Marcelo Rebelo de Sousa.

Seguem-se as Europeias, a 9 de junho. Também aqui o Chega tem uma palavra a dizer. Não apenas o Chega, como a direita em toda a Europa a qual, segundo notícias veiculadas na comunicação social, tem crescido de forma abrupta. Tal significa que os tempos são outros e que Bruxelas tenderá a acompanhar esta evolução, com significativos contornos futuros no que tange às políticas europeias sobre temáticas variadas e com implicações na política de cada país.

No próximo ano – 2025 – termos as autárquicas. Mas à data de hoje, atentos os contornos de ingovernabilidade que se esperam, eu assumo convictamente que além daquelas, teremos de igual modo eleições legislativas.