Foi com surpresa que vi a capa da última The Economist. Sobre um fundo amarelo vivo, um púlpito de madeira crivado de flechas e um título: “The Threat from the Iliberal Left”.

Teria a Economist finalmente descoberto a existência de uma “esquerda iliberal”? E logo de uma esquerda iliberal ameaçadora? Leio regularmente a revista, na sua constante apologia do globalismo e correspondente ataque aos “iliberais identitários” e populistas, com Trump e Orbán à cabeça; que dedicasse agora um número à descoberta e à ameaça da “esquerda iliberal” pareceu-me digno de nota.  Um autêntico despertar.

A “novidade” para a qual The Economist tenta alertar os seus leitores mais distraídos é a existência de uma forte corrente de “esquerda iliberal”, nada e criada nos santuários do liberalismo histórico – da liberdade religiosa, da liberdade de expressão, de representação popular. É aí, sobretudo nas universidades da Califórnia e em algumas da Costa Leste, que se desenvolve e estabelece hoje uma cultura neo-puritana de proibição, punição e cancelamento, a lembrar o castigo e a humilhação de Hester Prynne em The Scarlet Letter, de Nataniel Hawthorne, ou o banimento dos dissidentes Roger Williams e Anne Hutchinson, de Massachusetts Bay.

The Economist faz um bom levantamento das origens filosóficas e políticas desta ofensiva e da estratégia seguida pelo wokismo – um movimento surgido nos Estados Unidos para “acordar” ou “despertar” a opinião pública para a discriminação racial depois da Grande Depressão, mas que, entretanto, se multiplicou para dominar a Terra, “impondo uma ortodoxia” e intimidando e punindo os dissidentes.

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