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Refundação da Direita: PSD vs CDS

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“Refundar” toda a área não socialista talvez seja mais eficiente e eficaz com a mudança de eixo do CDS do que do PSD. Se o CDS alterar a sua abordagem, o PSD vem por arrasto. O inverso é mais difícil.

Bem sei que das poucas coisas que ainda valem a pena na política é a discussão de ideias e pouco importam os meandros partidários e o manejo de trincheiras a que os profissionais do ramo se dedicam.

De todo o modo, já que muitos dos que prezo e respeito intelectualmente têm sido prolixos na análise do estado e do futuro do PSD com a sua liderança, sujeito-me a expôr a tese de que a reconstrução e a refundação da Direita passarão mais pelo CDS do que pelo partido de Rui Rio.

Esta proposição não é resultado de uma reflexão fechada e definitiva da minha parte, mas apenas uma elaboração que deixo a escrutínio e comentário dos leitores para que com esse contributo a possa adensar ou, pelo contrário, infirmar.

Mas não errarei por muito na análise ao dizer que pêndulo político está artificialmente puxado à esquerda, fruto do arregimentar pelo PCP da Função Pública e no controlo da acção reivindicativa sindical. E também do Bloco na vertente de instalação de uma cultura urbano-identitária neo-fascizante.

Por instinto de sobrevivência o PS foi atrás e com ele deslocou o PSD do centro para campos outrora assumidamente socialistas.

O PSD só caiu nesta manobra porque à sua direita viu o CDS tombar para o mesmo lado. O CDS em vez de se apresentar como um partido conservador nos costumes e liberal nas questões económicas transformou-se num partido estatista na economia (vidé a recente abstenção na questão do reporte automático de saldos bancários ao Fisco) e progressista na agenda cultural (como na lei da paridade do género).

Com este posicionamento do CDS o PSD pressupôs que o encosto ao PS não o faria perder o seu eleitorado de tendência mais à direita. Todavia o perímetro da Direita não se alargou, mas apenas se transladou. Para o limite errado.

Os conservadores são muito sensíveis à imagem dos seus líderes e ver Cristas a cozinhar no Programa da Cristina ou no Cabaré da Coxa a achar piada (como lembrou Vasco Pulido Valente) a ser considerada uma MILF é quase fatal para o seu descrédito. Esses conservadores terão também entendido como uma subordinação ao discurso e à agenda da esquerda o facto de aquele que era visto como um provável sucessor da actual líder ter abordado o tema da sua homossexualidade em entrevista ao Expresso e alimentado sequelas do assunto noutros fora. O que reforçou a convicção de que o CDS, assim, estaria orientado para ser liberal nos costumes.

A minha análise é singela: olhando para o panorama político, as recentes iniciativas partidárias, os últimos convénios de reflexão que se organizaram e o discurso dos líderes dos partidos da Oposição, quem terá mais a perder nas eleições que se avizinham é Assunção Cristas e não Rui Rio.

Se o resultado eleitoral do CDS não subir significativamente quando toda a conjuntura parece à primeira vista assim facilitar, o caso pode não ser fácil digerir. E há uma probabilidade que diria não ser despicienda de o crescimento em votos não se verificar.

O CDS tem-se posicionado ao centro procurando captar voto de descontentes sociais-democratas, mas o Aliança está mais próximo de cumprir esse papel numa transição suave das intenções de voto. Com a saída de cena de Adolfo Mesquita Nunes, os liberais do PSD – nada satisfeitos com Rio – já não vêem no CDS um refúgio e por isso a escolha natural será a Iniciativa Liberal. A agremiação de Carlos Guimarães Pinto captará ainda o voto tradicionalmente abstencionista de Direita e por isso o CDS não terá muito novo eleitorado de que beneficiar.

Dada a significativa maior escala do PSD e o caldeirão de sensibilidades e tendências que ainda tem dentro do partido, é mais fácil ao CDS reposicionar-se como conservador ao estilo thatcheriano do que ao PSD descolar do PS por iniciativa própria.

“Refundar” a Direita – toda a área não socialista – talvez seja mais eficiente e eficaz com a mudança de eixo do CDS do que o do PSD. Se o CDS alterar a sua abordagem, o PSD vem por arrasto. O inverso é mais difícil.

Nessa altura os liberais sentir-se-ão mais confortáveis para se diluir pragmaticamente entre o voto no PSD e no CDS ou regressar à abstenção e à sua condição de cépticos em gente que procura orientar o rebanho através do exercício do poder e por via da legislação.

Fica o repto para os leitores me convencerem de que estou errado.

(artigo publicado originalmente no blog Blasfémias)

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