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A tradição é a fé viva dos mortos e o tradicionalismo é a fé morta dos vivos. A genealogia era uma ciência que os judeus cultivavam, porque o seu sacerdócio estabelecia-se em função da linhagem: só os descendentes de Aarão – como Zacarias, pai de João Baptista e marido de Santa Isabel – o podiam exercer. Com Cristo, da mesma forma como o povo eleito deixa de estar limitado a Israel, também o sacerdócio fica acessível a todos os varões católicos, desde que a Igreja neles reconheça esse chamamento divino.

A promessa da bênção divina foi feita a Abraão e à sua geração, como também foi profetizado que o Messias seria descendente do rei David. Muitos séculos depois, essas remotas origens judaicas deixaram de ser importantes para os cristãos e, até, passaram a ser inconvenientes. Com efeito, muito embora Jesus e os primeiros discípulos fossem judeus e os primeiros cristãos convivessem pacificamente com os outros membros desse povo, cujas sinagogas São Paulo frequentava, os reis católicos decidiram a sua expulsão, bem como a dos muçulmanos, dos reinos hispânicos, a não ser que se convertessem à fé cristã. D. Manuel I também adoptou, por pressão dos monarcas castelhanos, essa política e, desde então, passou a ser quase proibido qualquer remoto parentesco com hebreus ou mouros.

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