Nestes tempos de pandemia, como comunidade, é indiferente sermos de direita, esquerda ou das extremas de qualquer delas, de termos ou não termos crença em qualquer religião.

Estamos todos juntos neste ano atípico e todos juntos queremos ultrapassá-lo, deixando para trás os momentos menos bons (ou muito maus) que, porventura, tenhamos passado. Alguns têm a sorte de ser algo que, até ver, passou relativamente ao lado. Outros tiveram o azar de terem sido, ou virem a ser, severamente afectados. No entanto, não devemos perder (porque é um dever social), sejamos o que sejamos, o sentido de comunidade, solidariedade, fraternidade, saúde e vida para e com o próximo.

De um lado, deparamo-nos diariamente com o Governo a impor medidas preventivas, proibições de deslocação, recolher(es) obrigatórios – ou saídas proibidas – a partir de certa hora, isolamentos, uso de máscaras, etc.. De outro lado, deparamo-nos diariamente com chuva de críticas a essas medidas governamentais, sejam elas emocionais ou racionais.

Sem prejuízo do Estado ajudar quem tem que ser ajudado, é indiferente, do ponto de vista de sobrevivência comunitária da pandemia, se determinada medida é ou não inconstitucional, é ou não ilegal, é ou não abusiva, ou se as nossas liberdades e garantias são comprometidas. Com isto não quero dizer que as medidas podem ser as que o Governo muito bem entender ou que não devem ser contestadas. Não!

O que quero dizer é que, como comunidade, no limite, não deveriam ser precisas medidas obrigatórias. Não podemos apenas ter o entendimento a que nada obedeceremos porque tudo é inconstitucional, ilegal, abusivo ou meramente “chato” e que tudo se resume a, sendo infectados, garantido está que nos safamos, bastando um paracetamol para resolver o assunto. Se queremos correr o risco de ser infectados, infectar e matar desconhecidos, infectar e matar os nossos mais queridos, ser internados com falhas respiratórias graves, sofrer e fazer sofrer e de morrer, então saiamos de casa, vamos a festas, reunamos com a família toda, combinemos jantares e almoços com dez, 20 ou 30 pessoas, marquemos reuniões presenciais de equipa de trabalho e com clientes, vamos a concertos, cinemas, teatros ou restaurantes, não usemos máscaras nem álcool, vamos embora! Façamos tudo o que bem entendermos, porque somos livres! Vamos embora, matem e morram!

Estamos fartos? Claro que sim! Mas eu cá, estando ou não em desacordo com as medidas impostas, sendo ou não as mesmas inconstitucionais, ilegais, abusivas ou merecedoras de censura, não quero, por dever comunitário, correr o risco de matar e de morrer. Custa muito, é verdade, mas passará. Mas, pensemos, será que custa assim tanto, quando o verso da moeda é a possibilidade de atentar contra a vida do(s) outro(s)?

A sua saúde e a sua vida, são valores bastante mais altos que qualquer imposição governamental ou ofensa à minha liberdade.