Onde não há lei, não há liberdade”, John Locke

O debate em torno da natureza humana é uma pedra angular da filosofia política ocidental. Rousseau e Hobbes, nas suas visões contrastantes, foram instrumentais na formação do pensamento moderno sobre o Estado, a sociedade e o comportamento individual. As suas ideias, embora divergentes, foram centrais nas discussões sobre as origens da sociedade e o papel da governação.

Com uma visão mais “pessimista”, Hobbes argumentou, no seu Leviatã, que num estado de natureza (ou seja, sem qualquer autoridade governante), as pessoas serão essencialmente egoístas, brutas e movidas apenas pelo desejo de auto-preservação. Nesse estado, a vida seria “solitária, pobre, desagradável, brutal e curta”. Para Hobbes, a paz e a ordem só existirão se e na medida em que as pessoas estejam disponíveis para renunciar a certas liberdades e a submeter-se à autoridade de um poder soberano. O Leviatã, seja na forma de um monarca ou de qualquer outra autoridade, manterá eventualmente a paz e a ordem, protegendo os indivíduos do caos do estado de natureza. Contrariamente a Hobbes, Rousseau defendeu que as pessoas, no seu estado natural, seriam essencialmente boas, pacíficas e viveriam em harmonia. Rosseau cunhou o termo “bom selvagem” para descrever essa bondade inerente da humanidade no seu estado puro. Argumentou ainda que, à medida que as sociedades se desenvolvem e se tornam mais complexas, introduzem desigualdades, propriedade e competição, fatores que corrompem a bondade inerente dos bons selvagens. Assim, muitos dos problemas da sociedade não serão resultado da natureza humana mas das estruturas sociais em si. Daí que Rousseau tenha defendido que os governos mais não são do que compromissos entre os que integram uma dada comunidade, onde as pessoas se entendem para formar um contrato social, não por medo, como Hobbes sugeriu, mas para proteger a “vontade geral” coletiva do povo. A verdadeira autoridade, segundo Rousseau, residirá na vontade coletiva dos cidadãos.

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