Os juros que os investidores estão a exigir para comprar dívida pública portuguesa no mercado secundário estão a subir em praticamente todos os prazos, com uma das subidas mais expressivas a verificar-se na dívida a dez anos.

De acordo com os dados da agência Bloomberg, para comprar dívida pública a dez anos, os investidores exigem agora mais 0,07 pontos percentuais que no fecho da última sessão, ou seja, uma rendibilidade equivalente a 3,826%.

Nos últimos dias os juros exigidos para comprar dívida a dez anos escalaram de tal forma que já estão em máximos de mais de um mês (desde 15 de abril), antes de Portugal comunicar que sairia do programa da ‘troika’ sem um programa cautelar.

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Nas últimas três sessões de negociação, os juros da dívida a dez anos subiram para níveis que já não se viam há mais de um mês.

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O movimento ascendente faz-se sentir em praticamente em todos os prazos, mas não é exclusivo de Portugal. Itália, Espanha e Irlanda também estão a sofrer fortes agravamentos, e mesmo França e Alemanha (ainda que em menores dimensões) estão a ser afetadas.

No caso das duas maiores economias da zona euro, os juros estão a aumentar nos prazos mais longos e melhoram a mais curto prazo.

Na origem desta subida generalizada poderá estar a situação política na Grécia. Na primeira ronda das eleições regionais, autárquicas e europeias não saiu um claro vencedor (o que coloca em apuros a Nova Democracia que governa a Grécia), acabando por resultar num claro crescimento do Syriza, que se tem demonstrado completamente contra a política de austeridade de Atenas.

O partido ultranacionalista Aurora Dourada também viu o apoio que acolheu nas urnas a triplicar, em comparação com as últimas eleições regionais, realizadas em 2010.

A instabilidade nos mercados ainda estará para durar pelo menos por mais uma semana, enquanto não fica clarificada a situação na Grécia – cujo final da ronda eleitoral está marcado para domingo.

Alexandros Maglaras, do fundo de investimento grego Triton (que gere mais de 300 milhões de euros em ativos), disse à Bloomberg que os resultados das eleições afetam diretamente o mercado financeiro pois “têm efeitos na estabilidade política na Grécia”.

“As eleições autárquicas, regionais e europeias aumentaram significativamente a volatilidade nos mercados e a expetativa é que assim continue durante a próxima semana”, considerou.