A campanha das eleições europeias já é (quase) só nacional. Seguro não o esconde e, por isso, não afasta a possibilidade de apresentar uma moção de censura ao governo de Passos Coelho e Paulo Portas, tal como o Observador avançou esta quarta-feira. Primeiro o líder do PS quer dar a voz aos portugueses pelo voto, mas, questionado pelos jornalistas disse: “Este é o momento de o povo falar. Quando o povo fala a sua voz tem de ser ouvida”, respondeu. Seguro não foi direto, mas também não recusou a possibilidade de apresentar uma moção de censura.

Seguro, que falou esta quarta-feira à noite em Barcelos, distrito de Braga que o elege, e insistiu na ideia que domingo é dia para derrotar o governo e pouco falou de europeias. A confusão entre as duas dimensões tem sido usada pelo líder do maior partido da oposição que diz que a concentração do voto no PS nestas eleições “não é só importante para ajustar contas com o governo. Só isso já justificava um voto no PS”, mas serve também, disse, para “impedir um novo aumento de impostos que o governo se prepara para fazer”.

Num comício de casa cheia, Seguro insistiu na mesmo ideia: “A democracia nem sempre nos dá o melhor governo, mas dá-nos a oportunidade de mudarmos de governo. No próximo domingo temos oportunidade de mudar este ciclo”, disse em Barcelos num comício na estação de autocarros. Já antes tinha questionado: “Faz sentido os portugueses continuarem a votar num primeiro-ministro que engana e que faz diferente do que prometeu em campanha eleitoral?”

Antes, o cabeça-de-lista às europeias Francisco Assis tinha apelado ao voto dos indecisos e de quem se abstém e àqueles que nunca votaram PS, “que nunca sequer pensaram em votar no PS”. Pediu um “grande mobilização e um grande empenhamento”. Na mira, derrotar o Governo, que “dispôs em algumas circunstâncias de um conluio do Presidente da República”. Quem não estará em campanha será Mário Soares. “Não está prevista a presença de Mário Soares nesta campanha”, repetiu o secretário-nacional do partido, Miguel Laranjeiro. O dirigente socialista garantiu no entanto que o convite foi enviado: “Claro que foi convidado”. Recusou-se no entanto a esclarecer como aconteceu a recusa do ex-Presidente da República em participar na campanha de Francisco Assis.

bloco e pcp a sul do tejo

Marisa Matias aproveitou a visita a um centro de emprego e formação profissional no Seixal para tecer críticas à apresentação feita na terça-feira pelo secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional. “Ainda ontem vimos um secretário de Estado a assinar um protocolo com a McDonald’s para criar 600 postos de trabalho e o governo que fala em não querer baixar empregos é aquele que em vez de promover emprego qualificado, está a criar “McEmpregos” com “McSalários””, acusou a cabeça de lista do Bloco de Esquerda.

Em Aljustrel, João Ferreira também não fugiu ao tom crítico mas o alvo foram os socialistas e as suas promessas aos reformados. Para o cabeça de lista de CDU não basta que o PS anuncie que quer acabar com a “TSU dos pensionistas”, mas antes que se comprometa a devolver “todos os rendimentos retirados” aos reformados durante os últimos três anos.

O cabeça de lista do partido Livre, por sua vez, manteve um registo europeísta no seu discurso, durante uma ação de campanha na estação de Sete Rios, em Lisboa. Para Rui Tavares, o Livre tem sido o único partido com um discurso europeu. “Desde a primeira hora que fizemos sempre debate, campanha e discurso Europeu, sempre alertando para os custos de deixarmos a Europa passar ao lado destas eleições”, disse.