José Maria Ricciardi renunciou ao cargo de administrador da Espírito Santo Financial Group (ESFG), holding do Grupo Espírito Santo (GES) que, após a conclusão do mais recente aumento de capital do Banco Espírito Santo (BES), ficou com 25,1% do respetivo capital social. A confirmação deste abandono foi anunciada em comunicado daquela empresa, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O documento, com data de 24 de junho, surge ao encontro da intenção do presidente do Banco Espírito Santo de Investimento de abandonar todos os cargos que ocupava no grupo para se dedicar às funções que ocupa na instituição financeira que lidera. Na segunda-feira, o banqueiro, que discorda do processo de sucessão de Ricardo Salgado na liderança do BES, emitiu uma declaração em que afirmou pugnar “há mais de um ano” no interior do conselho superior do GES, “pela modificação estrutural da governance, quer ao nível da colegialidade das decisões, quer em termos da sua composição”.

Ricciardi, candidato à sucessão no BES que deverá ser preterido em favor de Amílcar Morais Pires, o favorito de Ricardo Salgado, acrescentou que aquele “esforço tem-se pautado por iniciativas sistemáticas, algumas delas do conhecimento público, que infelizmente não produziram os resultados propostos em tempo útil”.

banqueiro revelou, também, que, em 8 de junho de 2014, conforme acordo celebrado e subscrito pela maioria dos ramos familiares representados no Conselho Superior”, foi “convidado a assumir a liderança do sector financeiro do Grupo Espírito Santo”. E acrescentou: “A verdade é que perfilho o entendimento de que para fazer face aos desafios que o Grupo enfrenta é indispensável, não só a coesão de todos os ramos familiares representados no Conselho Superior, como ainda a unanimidade do seu voto”.

O fracasso na obtenção da unanimidade desejada levou José Maria Ricciardi a decidir concentrar toda a atividade “no projecto de aumento de capital e consequente expansão do Banco de Investimento” a que preside.
“Tendo prevalecido um projecto alternativo para o qual” não foi “chamado a intervir”, o banqueiro afirmou não se justificar continuar “a participar nos órgãos sociais das empresas do Grupo”.

O comunicado da ESFG adianta que também o gestor Jackson Behr Gilbert cessou funções por ter passado à reforma.