O movimento islâmico ISIS declarou este domingo a criação de um califado nos territórios que controla na Síria e no Iraque e o seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, como o califa e “líder dos muçulmanos em todo o lado”. O anúncio foi feito pelo porta-voz do movimento jihadista, que agora se auto-nomeou apenas Estado Islâmico, em vez de Estado Islâmico do Iraque e do Levante (em inglês, ISIL ou ISIS).

O grupo divulgou um vídeo em que explica a criação do novo califado.

https://www.youtube.com/watch?v=JzYF1AyFHgk#!

O vídeo intitula-se “O fim de Sykes-Picot” numa referência ao acordo estabelecido entre Reino Unido e França no pós-I Guerra Mundial, no qual esses dois países dividiram entre si o governo das zonas a que hoje correspondem o Iraque (domínio britânico) e a Síria (domínio francês). O combatente que apresenta o vídeo, que diz ser proveniente do Chile, explica que o ISIS “não reconhece nem nunca reconhecerá as fronteiras” entre os dois países e desafia os Estados Unidos a intervirem na região, garantindo que, tal como já aconteceu no Afeganistão e no Iraque, vão perder a guerra.

Na criação do califado, o ISIS exorta todos os muçulmanos a apoiarem o novo califa. “É da responsabilidade de todos os muçulmanos jurar[-lhe] lealdade e apoiá-lo. A legalidade de todos os emirados, grupos, estados e organizações fica anulada com a expansão da autoridade do califa e a chegada das suas tropas a essas áreas”, disse o porta-voz do grupo.

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“O impacto deste anúncio será global uma vez que os grupos jihadistas independentes e afiliados da al-Qaeda têm agora de decidir se apoiam e se juntam ao Estado Islâmico ou se se lhe opõem”, comentou Charles Lister, um analista consultado pela agência Reuters.

Entretanto, em Tikrit, prosseguem os combates entre o exército iraquiano e os rebeldes pelo controlo da cidade, que foram este domingo reforçados pela chegada de aviões militares russos à zona para auxiliar as tropas do Iraque.

No mesmo dia, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu apelou à criação de um estado independente no Curdistão, zona do norte do Iraque que vem reivindicando a independência há anos. Os curdos, disse Netanyahu, são “um povo de combatentes que demonstraram compromisso político [contra o avanço de radicais sunitas] e merecem a independência”. Trata-se de uma posição contrária à dos Estados Unidos e seus aliados, que continuam a opor-se à divisão do Iraque.