O presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, não exclui candidatar-se de novo às eleições presidenciais. Em declarações ao Observador, na sequência de uma visita de Pedro Passos Coelho a um projeto da AMI no Sri Lanka, Nobre explica que “não subjacente qualquer tipo acordo ou pré-acordo” com o líder do PSD sobre uma eventual candidatura presidencial, mas admite que a decisão será ponderada a seu tempo.

“Sobre isso, uma candidatura, o que posso dizer é que estou vivo, não tenho 100 anos, decidirei quando tiver que decidir”, afirmou, acrescentando: “Vou decidir exclusivamente pela minha cabeça, pelo país que eu amo que é Portugal”.

O médico candidatou-se às presidenciais em 2011, tendo obtido 14% sem o apoio de qualquer partido. Nas legislativas desse ano, aceitou ser candidato a deputado nas listas do PSD. Passos indicou o seu nome para presidente da Assembleia da República, mas o presidente da AMI não conseguiu ser eleito, devido a resistências mesmo dentro do PSD. Renunciou, então, ao mandato de deputado.

Nobre, que admite que tem sido encorajado a voltar a candidatar-se por várias pessoas, congratulou-se com a visita do primeiro-ministro a um projeto apoiado pela AMI no Sri Lanka, país que foi visitado pela primeira vez, no domingo, por um chefe de Governo português.

Numa deslocação de algumas horas, a caminho de Díli, para a cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Passos visitou um orfanato da instituição Centro D. Bosco, que a AMI tem apoiado e no qual já investiu perto de 300 mil euros, situado em Maggona, aproximadamente a 70 km a sul da capital, Colombo.

O orfanato foi ampliado e tem capacidade para 120 crianças. Começou a receber ajuda da AMI depois do tsunami de 2004. É um dos sete projetos que aquela instituição tem em curso no Sri Lanka, onde, segundo Nobre, existem 5 mil luso-descendentes ou burgher.

Presidenciais agitam direita

Em fevereiro, o presidente da Assistência Médica Internacional tinha afirmado ao Sol que se encontrava “em período de reflexão” para uma segunda candidatura presidencial e que considerava “um dever” ponderar uma nova candidatura, uma vez que tem sido “muito abordado” nesse sentido.
“Ainda é extemporâneo falar sobre isso, mas é evidente que enquanto putativo candidato que sou estou em período de reflexão”, explica. “Estou atento. Na altura certa, decidirei autonomamente”, disse depois de Passos já ter admitido apoiar um cidadão independente para Belém, em declarações à revista Sábado.

A vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, afirmou esta segunda-feira na SICN que “é prematuro os partidos pronunciarem-se” sobre candidatos presidenciais pois os partidos políticos “apoiam os candidatos que se dispuserem a concorrer”.

“Há muitas pessoas na área social-democrata que têm essa capacidade, posição de Estado, que sejam verdadeiros estadistas e tenham capacidade para exercerem o cargo, tendo em conta que vivemos num paradigma de integração europeia”, disse, sem falar em nomes.

Pedro Santana Lopes deu uma entrevista ao Expresso no sábado em que disse que concorrer às presidenciais contra António Guterres seria “altamente estimulante”, marcando o terreno. E depois, domingo à noite, na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa comentou, sem falar em si próprio, que o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, teria mais vantagem do que Santana numa corrida a Belém.

Os passistas não querem apoiar Marcelo na corrida presidencial e lembram a moção do líder ao último congresso, que diz que o candidato presidencial a apoiar pelo PSD não deve ser “um catavento de opiniões erráticas”.