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Moçambique

Dhlakama assegura a diplomatas que fica em Maputo

Afonso Dhlakama, assegurou a um conjunto de diplomatas acreditados em Maputo que não recorrerá à violência e tenciona permanecer na capital moçambicana para dialogar com o Governo cenários pós-eleitorais.

ANTONIO SILVA/EPA

O líder da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama, assegurou a um conjunto de diplomatas acreditados em Maputo que não recorrerá à violência e tenciona permanecer na capital moçambicana para dialogar com o Governo cenários pós-eleitorais, admitindo um executivo de unidade nacional.

O presidente da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) manteve um encontro na sexta-feira com diplomatas da União Europeia, Noruega, Suíça e Canadá, durante a qual afirmou que não pode aceitar resultados de uma votação que considerou “uma fantochada”, desconhecendo se vai impugnar as eleições gerais de quarta-feira, porque desconfia de um “sistema todo armadilhado”, disseram à Lusa fontes que acompanharam a reunião.

Dhlakama assegurou que vai permanecer em Maputo, porque quer manter-se perto do corpo diplomático e das autoridades moçambicanas, anunciando que tencionava telefonar ao Presidente moçambicano, Armando Guebuza, com o qual assinou a 05 de setembro um acordo para encerrar as hostilidades militares que afetaram a região centro do país durante 17 meses.

Na reunião, em que o líder histórico da Renamo foi aconselhado a seguir a via legal na denúncia de alegadas irregularidades no processo eleitoral, Dhlakama prometeu que não voltará à violência e que dará prioridade ao diálogo, tal como repetiu no dia seguinte, em conferência de imprensa em Maputo, mas também disse que não sabia o que ia fazer a seguir, informaram as mesmas fontes.

Um dos cenários que admitiu é a formação de um governo de unidade nacional, à semelhança do que já aconteceu no Quénia e no Zimbabué, no âmbito de um processo de uma verdadeira reconciliação. Na reunião com os diplomatas estrangeiros, realizada no mesmo dia em que foram conhecidas as conclusões das missões de observação eleitoral internacional, Dhlakama apontou várias irregularidades, considerando que eram as quintas eleições não democráticas em Moçambique, desde o recenseamento à votação.

O líder da oposição dirigiu críticas às missões de observação e à comunidade internacional, acusando-as de contemporizarem com alegações de que as fraudes não afetam o processo no seu todo, quando noutros países seriam casos de polícia, descreveram à Lusa as fontes que acompanharam o encontro. A Renamo anunciou, na quinta-feira, através do seu porta-voz, António Muchanga, que ganhou as eleições gerais e que não ia reconhecer o processo eleitoral, alegando fraudes.

Em conferência de imprensa no sábado, Dhlakama evitou pronunciar-se sobre os resultados – num momento em os resultados parciais e preliminares dão vantagem à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e ao seu candidato presidencial – e foi ambíguo em relação ao reconhecimento das eleições, mencionando que era “cedo para dizer o que vai acontecer”, mas referindo também que aceitar este processo era “matar a democracia”.

Contactadas pela Lusa, a candidatura de Dhlakama e a de Filipe Nyusi, da Frelimo, informaram que não se realizou nenhum encontro entre as partes nem está a ser preparado algo nesse sentido. Os diplomatas que se reuniram com Dhlakama têm um encontro previsto com o candidato presidencial da Frelimo na segunda-feira, disseram à Lusa fontes envolvidas na organização do encontro, que deverá ser alargado à presença de um representante dos Estados Unidos.

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados a escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais. No escrutínio concorreram três candidatos presidenciais e 30 coligações e partidos políticos.

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