O Banco de Portugal (BdP) chegou mesmo a avisar Bruxelas horas antes de serem divulgados os 3,6 mil milhões de euros de prejuízo do BES. A notificação ocorreu a 30 de julho, dia no qual a Direção Geral da Concorrência da União Europeia (DG-COMP) abriu um processo ao Banco Espírito Santo, classificado como “remédio para perturbações graves” – isto dois dias antes de o BCE ter fechado as linhas de crédito ao banco, por incumprimento dos rácios de capital. E de a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspender as ações na bolsa.

Em dois dias — entre 30 de julho e 1 de agosto –, recorde-se, as ações do Banco Espírito Santos desvalorizaram 65,4%.

A informação foi avançada esta terça-feira pelo Diário Económico, após falar com fontes do BdP. O aviso do supervisor terá ocorrido antes de serem divulgadas publicamente as contas do banco, relativas ao primeiro semestre, na tal noite de 30 de julho. “No caso específico do BES, foi estabelecido um contacto informal, a nível técnico, com a DG-COMP, no dia 30 de julho à tarde, por causa da dimensão dos resultados negativos que iriam ser anunciados pelo BES, nesse dia”, explicou a fonte ouvida, mas não identificada, pelo jornal.

A pedido da Direção Geral da Concorrência “foi partilhado, ao final do dia 31 de julho, informação sobre a situação de liquidez do BES”. A mesma fonte, porém, argumentou que o contacto entre o Banco de Portugal e a entidade comunitárias “não [constituiu] qualquer notificação de auxílios de Estado”. E ainda sem se saber que tipo de intervenção iria depois ser aplicada ao banco.

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Foi no dia 3 de agosto que se concretizou a decisão de dividir os ativos do BES por dois bancos: um ‘bom’, o Novo Banco, e um ‘mau’, que acolheu os ativos considerados tóxicos.