Os fundos de investimento podem simplificar a criação de uma carteira de aplicações, mas é sempre preciso equilibrar fundos de ações com fundos de obrigações, pelo menos, para ter um cabaz ajustado ao perfil do agregado familiar. Não há um instrumento mais simples? Sim, os fundos mistos.

Os fundos mistos combinam aplicações nos mercados de ações e de obrigações. Assim, estes fundos têm algum do maior potencial de valorização das ações e alguma da estabilidade das obrigações. Além de outras regras essenciais à seleção de fundos, os fundos mistos devem ser eleitos pela proporção investida em cada componente, ações e obrigações. Quanto mais longe estiver do objetivo para o qual está a poupar, maior deve ser a exposição ao mercado acionista.

Quase todos os bancos oferecem fundos mistos aos seus clientes, normalmente divididos entre defensivos (mais obrigações), neutros (equilibrados entre obrigações e ações) e agressivos (mais ações). Os planos de poupança-reforma também podem ser fundos mistos (embora nunca agressivos, por limitação legal), mas apenas devem ser constituídos quando o objetivo é mesmo o planeamento da aposentação.

Ainda mais simples

A Fidelity, uma das maiores sociedades gestoras de fundos do mundo cujos produtos são distribuídos por bancos portugueses, gere um tipo diferente de fundos mistos: começam por ser agressivos, convertem-se em neutros a meio caminho e, no final, são muito conservadores. A evolução é progressiva e poupa o investidor de ter de fazer mudanças na sua carteira, porque o gestor encarrega-se dos ajustes. São os chamados fundos de ciclo de vida.

Atualmente, há fundos Fidelity Target que apontam de 2015 até 2040, em intervalos de cinco anos. O Fidelity Target 2020 (Euro) tem agora cerca de metade da carteira em ações, mas o Fidelity Target 2030 (Euro) tem mais de 80% e o Fidelity Target 2040 (Euro) quase todo o dinheiro.

Em Portugal, estes fundos são comercializados pelo ActivoBank, Banco Best, Banco Big, Deutsche Bank e Millennium bcp.

Não dê demasiada liberdade ao gestor

Há um grupo de fundos que, embora possam combinar aplicações em ações e em obrigações, não são fundos mistos. Muitos investidores são atraídos para estes produtos, mas que nem sempre são a solução mais correta para o património.

Aconteceu, por exemplo, no Espírito Santo Liquidez, o maior fundo de investimento que alguma vez foi administrado em Portugal. O prospeto do fundo previa a possibilidade de investir num rol de instrumentos financeiros, mas, na prática, o fundo esteve muito tempo concentrado em títulos de dívida do Grupo Espírito Santo.

O Espírito Santo Liquidez é um fundo especial de investimento, mas os fundos flexíveis também autorizam os seus gestores a investir de forma mista em ações e em obrigações. No entanto, os administradores não se comprometem a limites em cada uma das componentes da carteira: tanto podem ter tudo em ações como tudo em obrigações ou em aplicações de tesouraria. Evite-os, porque não garantem que se adaptam sempre ao seu perfil de investidor.