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Blaise Compaoré, presidente de Burkina Faso, declarou estado de emergência no país e dissolveu o Governo, depois de uma centena de manifestantes ter incendiado o edifício do Parlamento, esta quinta-feira, em Ouagadougou. Na origem da manifestação, estava o facto de Blaise Compaoré ter tentado prolongar o seu mandato.

A decisão foi tomada depois de o presidente ter reunido com o Conselho de Ministros. O líder assinalou que etsá disposto a negociar com a oposição e que Gilbert Diendre, general do exército, ficará encarregue de restabelecer a ordem no país, segundo os media locais, citados pela EFE.

O edifício do Parlamento do Burkina Faso foi esta quinta-feira incendiado por centenas de manifestantes. Em Ouagadougou, capital do país, milhares de pessoas estão a protestar contra um projeto-lei, cuja votação estava agendada para hoje, para alterar a Constituição. O objetivo era permitir que Blaise Compaore, Presidente do país há 27 anos, ainda se possa candidatar a mais um mandato, nas eleições do próximo ano.

À volta de 1.500 pessoas, noticia a BBC, que tem uma correspondente no local, terão conseguido entrar no Parlamento. Pelo menos uma pessoa já terá sido abatida a tiro, avançou o Burkina24, diário do país, antes de revelar que também os edifícios do canal de televisão e da estação de rádio do Estado foram ocupados pelos manifestantes. François Compaore, irmão do presidente, já terá sido detido por militares no aeroporto da capital.

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Os partidos da oposição ao presidente do Burkina Faso apelaram há dias que a população se unisse num “golpe de estado constitucional”, como escreveu a Agence d’Information du Burkina. “A nossa luta está na fase final. Agora, aconteça o que acontecer, é a pátria ou a morte”, resumiu Zéphirin Diabré, líder da oposição e presidente da União pelo Progresso e pela Mudança (UPM), citado pela agência noticiosa do país, num artigo publicado na terça-feira. A exigência é para que o presidente retire o projeto-lei que pretende modificar o artigo n.º 37 da Constituição, apresentado a 21 de outubro.

Os protestos alastraram-se até ao edifício da televisão estatal da Burkina Faso, onde centenas de pessoas também foram capazes de entrar, e ao Palácio Kosyam, que serve de residência oficial para Blaise Compaore. O Presidente, de 63 anos, chegou ao poder em 1987 e, entretanto, já foi por quatro vezes reeleito para o cargo.

Compaore foi eleito presidente após um golpe de estado que depôs Thomas Sankara, o então líder do país.

No centro de Ouagadougou, perto do Parlamento e do palácio de Blaise Compaore, e no meio de nuvens de fumo preto, várias pessoas iam exibindo cartazes, onde se liam coisas como “Temos fome” ou “Não tocarás na Constituição!”. Ao final da manhã desta quinta-feira, Zéphirin Diabré, através da sua conta de Twitter, disse: “Não é nosso desejo tomar o poder à força. Só queremos respeito pela democracia.” Já antes o dirigente sublinhara a sua oposição a um eventual golpe de estado no país.