“Só pensa nele, sempre pensou nele”. É Marcelo Rebelo de Sousa quem o diz a propósito de José Sócrates que, desde segunda-feira, se encontra em prisão preventiva indiciado por branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção. No seu espaço habitual de comentário, o professor explicou que o ex-primeiro-ministro, cuja atitude considera ser “previsível”, está a usar a praça pública para se defender e que “só morto é que se cala”.

“No espaço de uma semana teve uma carta publicada e um depoimento para o jornal Expresso”, além de uma entrevista em cima da mesa, relembrou Marcelo. A mediatização do já apelidado “caso Sócrates” está a fazer com que se discuta a forma como o processo está a ser tratado em vez da sua “substância”. Referiu ainda que “há mais pessoas com uma postura crítica em relação a Sócrates e que é essa mesma realidade que ele quer inverter ao “fazer-se de vítima”. Mas antes, “tem de definir bem qual é o adversário principal”.

Mário Soares, o afetivo

Ainda a propósito da operação Marquês, tema que tem dominado a atualidade, comentou as declarações prestadas pelo ex-chefe de Estado à saída do Estabelecimento Prisional de Évora no decorrer da semana. Considerou a reação de Mário Soares “sentimental” e “quente”. “É um afetivo e está naquela fase da vida em que diz tudo o que pensa já sem filtros. (…) E exagera — já o critiquei pelo exagero”. Para Marcelo Rebelo de Sousa, um antigo governante não pode tratar “assim” a justiça.

O fundador do Partido Socialista disse, depois de uma visita de mais de uma hora à prisão eborense, que “Todo o PS está contra esta bandalheira” e que a operação Marquês não é outra coisa que não “um caso político”. Acrescentou que “toda a gente acredita na inocência do ex-primeiro-ministro”. “Isto é uma malandragem daqueles tipos que atuam mas que que não fizeram nada”, disse ainda o ex-Presidente, referindo-se indiretamente à investigação.

Mas as críticas chegaram ainda ao ex-procurador-geral da República, Pinto Monteiro, a propósito da sua atuação na passada segunda-feira, o qual deu uma entrevista à RTP para comentar um almoço com José Sócrates. “Foi uma coisa de uma infelicidade. (…) “O antigo PGR devia preservar-se para preservar o prestígio da instituição a que presidiu”.

O fim de semana do PS (e do Bloco de Esquerda)

“Começou uma verdadeira chatice e acabou interessante”. Num primeiro instante foi assim que o professor resumiu o XX Congresso do PS que ocupou este fim de semana que passou. Marcelo trouxe para o debate a postura de António Costa, elogiando-o pela autoridade assumida ao determinar um silêncio quase absoluto em relação à prisão preventiva de Sócrates. Um “líder unânime”, disse, que vai fazer campanha à esquerda numa tentativa de angariar mais votos.

Mencionou ainda o cargo adquirido por Carlos César — “É a primeira vez que um líder regional chega a presidente de um partido” — bem como a presença de Sampaio da Nóvoa, apontado como um possível candidato às presidenciais e cuja intervenção foi “aplaudida de pé”.

Outro dos temas abordados por Marcelo Rebelo de Sousa foi a alteração na liderança do Bloco de Esquerda, “um partido que em vez de dois líderes passa a ter seis, é pior a emenda do que o soneto”. Disse ainda que lideranças a seis pode ser uma boa notícia para António Costa e Jerónimo de Sousa e que a saída de João Semedo “não lembra ao careca”.