Chegou esta segunda-feira ao cargo de presidente do Conselho Europeu, mas como um homem conhecido pela sua assertividade, Donald Tusk já enumerou as suas prioridades: proteger a liberdade e unidade da União, reforçar a segurança das suas fronteiras e ajudar vizinhos que partilhem os valores comunitários e manter uma boa relação com os Estados Unidos. Dito e feito, pelo menos neste último ponto. Tusk já falou com Obama e diz que vai acelerar as negociações do acordo de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos.

A entrada em cena não foi discreta e, depois do aperto de mão cordial ao seu antecessor, afirmou que a Europa está ameaçada e tem inimigos. “A política regressou à Europa. A história está de volta. Nestas alturas é preciso liderança e unidade política”, disse perante os jornalistas em Bruxelas, seguindo-se um encontro com Jean-Claude Juncker e um telefonema com Barack Obama. Um dia em cheio, que fez questão de reproduzir no Twitter e no Youtube.

Durante a sua estreia, o novo presidente do Conselho Europeu fez questão de mostrar entusiasmo na conta oficial de Twitter:

As diferenças entre o novo presidente e o seu antecessor foram visíveis desde o dia um. Van Rompuy, ex-primeiro-ministro belga e detentor deste cargo nos últimos cinco anos, é conhecido por ser uma figura discreta, que exerce o seu poder nos bastidores e nos tempos livres se dedica a escrever poesia japonesa. Já Tusk, que se tornou na primeira figura do Leste a assumir um alto cargo em Bruxelas e formará uma tríade de poder com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão e Federica Mogherini, Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, nunca se coíbe de partilhar as suas opiniões e defender as suas posições políticas, que geralmente são firmes.

Apesar de não ser conhecido o teor da conversa com Juncker, com quem se vai encontra periodicamente nos Conselhos Europeus – que reúnem periodicamente os líderes dos 28 Estados-membros -, na ordem de trabalhos deve ter estado a próxima reunião agendada para os dias 18 e 19 deste mês. Aí estarão em discussão assuntos como o plano de crescimento Juncker que quer injetar 315 mil milhões de euros na economia europeia e a transparência fiscal, um dos temas centrais da Comissão depois de ser conhecido o escândalo Lux Leaks.

Para além disto, a semana do novo presidente vai ser recheada com outros encontros: Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, Ashraf Ghani, presidente do Afeganistão, os primeiros-ministros da Finlândia, da Letónia e da Bulgária e ainda uma reunião com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Num almoço com o Financial Times publicado no final da última semana, Donald Tusk disse que ele próprio já estava cansado de ser primeiro-ministro depois de de sete anos em funções e afirma que nasceu para tarefas difíceis. Nos próximos tempos os desafios são complexos com a crise na Ucrânia, a lenta recuperação europeia e a possibilidade da saída da Grã-Bretanha, mas Tusk não vacila: “Eu acredito na Europa. Não como um euro entusiasta ou um federalista inocente, mas porque sou um polaco patriota e é por isso que não tenho qualquer conflito na minha consciência”, afirmou – o jornalista garantiu que também o nível de inglês do ex-primeiro-ministro polaco melhorou, tal como tinha prometido quando foi nomeado em setembro.

Fica agora por saber se os seus poderes como presidente do Conselho Europeu vão permitir ao polaco a margem de manobra que tinha como primeiro-ministro. Formalmente Tusk tem agora como funções preparar os trabalhos do Conselho Europeu, facilitar a coesão e consenso entre os líderes europeus e ajudar na coordenar da política externa. Um trabalho que deve ser pouco visível, mas muito eficaz. Uma tarefa que à partida pode ser difícil para um homem habituado a estar no centro das atenções.

Um dos últimos Tweets na sua conta pessoal dava o pontapé de saída para esta nova vida: “Cheguei, vi e agora vamos ver o que acontece. Bruxelas, aqui vou eu”.