O Banco Central Europeu (BCE) está a olhar para três hipóteses para decidir qual será a melhor forma de intervir no mercado com a compra de dívida pública, uma intervenção que parece cada vez mais inevitável dada a inflação baixa que continua a afetar a zona euro. Essa decisão pode surgir já na próxima reunião do conselho de governadores do BCE, a 22 de janeiro, acreditam vários economistas.

Segundo o jornal holandês, o Het Financieele Dagblad, a primeira hipótese passa por ter o banco central a comprar dívida pública na proporção da quota de cada país no eurosistema. Dessa forma, o banco central estaria a injetar nova liquidez no sistema envolvendo todos os países da zona euro, desde aqueles a que é atribuído menor risco até àqueles com maior risco percecionado, por exemplo, pelas agências de rating.

Uma alternativa seria ter o BCE a comprar apenas dívida com rating elevado, como a Alemanha, França e Holanda, o que levaria as taxas implícitas nestes títulos para valores ainda mais baixos – em vários casos, para terreno negativo. Dessa forma, admite esta hipótese, os investidores seriam “empurrados” para ativos com maior risco, contribuindo também para que as taxas de países como Portugal, Irlanda e Grécia baixassem, sem envolver o banco central diretamente.

A terceira hipótese é semelhante à primeira mas em vez de ser o BCE a comprar a dívida seriam os próprios bancos centrais de cada país. Segundo o jornal, que não especifica as fontes que lhe deram a informação, estas três hipóteses são o resultado do trabalho de preparação elaborado pela equipa formada no final do ano passado pelo BCE. “O Conselho de Governadores encarregou técnicos do BCE e as comissões do eurosistema relevantes [nos diferentes bancos centrais nacionais] para assegurar uma preparação atempada de mais medidas a serem aplicadas se for necessário”, afirmou Mario Draghi na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Governadores de início de novembro. Uma reunião em que o BCE manteve a taxa de juro de referência inalterada no mínimo histórico de 0,05%.